Governo lança ferramenta que permite se excluir das casas de apostas de uma só vez
Se você sente que precisa se afastar um pouco do mundo das apostas online, o processo acaba de ficar muito mais simples e centralizado. O Governo Federal colocou no ar, nesta semana, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
A novidade resolve um problema antigo: até então, quem queria parar de jogar precisava entrar site por site para pedir o bloqueio de sua conta.
Agora, com a nova ferramenta, é possível solicitar o bloqueio de acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda simultaneamente, com apenas um cadastro.
A medida é reconhecida pela comunidade científica como uma das estratégias mais eficazes para reduzir danos financeiros e psicológicos associados ao vídeo em apostas, também conhecido como ludopatia.
Como funciona a autoexclusão?
O sistema é direto. Ao fazer a solicitação na plataforma do governo, um processo é iniciado para garantir três medidas de proteção ao seu CPF:
- Bloqueio de contas: Todas as suas contas ativas em sites legalizados serão travadas
- Fim de novos cadastros: Você fica impedido de abrir contas em qualquer site de aposta legalizado
- Bloqueio de publicidades: As empresas ficam proibidas de enviar propagandas segmentadas sobre apostas para você
É importante alinhar a expectativa: o efeito não é instantâneo. Após a confirmação do seu pedido, as operadoras de apostas (as "bets") recebem o comunicado e têm um prazo legal de até 72 horas para efetivar o bloqueio total de acesso em seus sistemas.
Vale lembrar que a opção de se bloquear individualmente em cada site continua existindo e pode ser usada enquanto o bloqueio geral é processado.

Passo a passo para usar a plataforma
Para acessar o serviço, você não paga nada.
Basta seguir o roteiro abaixo:
- Acesse o site oficial: gov.br/autoexclusaoapostas
- Faça login com sua conta gov.br (é necessário que ela seja de nível Prata ou Ouro para garantir a segurança dos dados)
- Escolha o período de afastamento (confira as regras abaixo)
- Informe o motivo (opcional): pode ser decisão voluntária, dificuldades financeiras, saúde mental ou recomendação médica
- Aceite os termos e confirme. Você receberá um registro oficial da solicitação
- As regras do tempo (Pense bem antes de clicar)
O sistema foi desenhado para proteger o usuário de recaídas impulsivas. Por isso, preste atenção nas opções de tempo:
Prazo Determinado (1 a 12 meses): Se você escolher um período específico (por exemplo, 6 meses), a decisão é irreversível durante esse tempo. Você não poderá desbloquear antes do fim do prazo.
Prazo Indeterminado: Se escolher se afastar sem data para voltar, você tem uma "janela de arrependimento" de até um mês para cancelar a decisão. Passado esse mês, o bloqueio segue valendo por tempo indefinido.
Mais do que apenas um bloqueio
Segundo Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a ferramenta vai além da tecnologia: é uma porta de entrada para o cuidado.
A plataforma reúne informações essenciais sobre o tema e orienta sobre como buscar atendimento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o sistema pode direcionar o cidadão para ferramentas de apoio, como o Autoteste de Saúde Mental, permitindo que o usuário entenda melhor as especificidades e os riscos que o setor oferece.
Um detalhe interessante é que a ferramenta serve também para quem nunca fez uma "fezinha".
Se você teme que seus dados sejam usados indevidamente por terceiros para criar contas em sites de apostas, pode entrar na plataforma e solicitar a autoexclusão preventivamente. Ao fazer isso, você "tranca" o seu CPF, impedindo que qualquer empresa de apostas autorizada aceite um cadastro em seu nome.
Atenção: bloqueio vale apenas para os sites oficiais
É fundamental fazer um alerta importante: a nova ferramenta do governo funciona como uma "trava de segurança" exclusiva para os sites de apostas legalizados. Ou seja, aqueles que possuem autorização do Ministério da Fazenda para operar no Brasil.
Isso significa que, mesmo com a autoexclusão ativa, o usuário ainda pode estar exposto ao assédio de plataformas ilegais ou clandestinas.
Diferente das empresas reguladas, esses sites "piratas" não seguem as regras de jogo responsável. Pelo contrário: muitas vezes operam sem fiscalização e podem até manipular os jogos para incentivar o apostador a correr riscos desmedidos, ignorando completamente sua saúde financeira.
Por isso, a tecnologia é uma grande aliada, mas não substitui o fator humano. O combate à ludopatia (vício em jogos) exige, acima de tudo, suporte familiar e acompanhamento médico.
Se você ou alguém próximo está enfrentando dificuldades, o bloqueio digital deve vir acompanhado de conversas francas em casa e ajuda profissional, garantindo proteção contra as armadilhas do mercado paralelo que a ferramenta não alcança.


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