Caiado fica atrás de Michelle e Haddad nas apostas para 2026

Atualizado: 2 Jun 2026
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Lucas Arraz

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Há quase dois meses, o governador licenciado de Goiás, Ronaldo Caiado, foi oficializado como pré-candidato do PSD à Presidência da República. Renunciou ao cargo em Goiás no fim de março, embarcou em uma agenda nacional como terceira via à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e levou consigo o título de governador com maior aprovação do país, segundo a AtlasIntel.

Nada disso, porém, fez o mercado preditivo internacional mudar de leitura. No Polymarket, Caiado seguiu com 1% de probabilidade implícita de vitória até o final de maio, mesmo patamar que o senador goiano mantém desde janeiro, antes de ser pré-candidato.

Ele aparecia atrás de Michelle Bolsonaro (PL), que oscila entre 2% e 3% sem ter qualquer movimento formal de candidatura, e atrás também de Fernando Haddad (PT), que já lançou disputa pelo governo de São Paulo e nem vai estar na urna presidencial.

A matemática é direta: o pré-candidato oficial de um dos maiores partidos do país está sendo precificado pelo mercado abaixo de uma figura sem candidatura, abaixo de um ministro que já mudou de disputa e abaixo do nível em que aparecia antes do partido bater o martelo sobre seu nome.

Atenção!

As apostas em eleições no Brasil são proibidas pela regulamentação vigente, e os dados analisados neste artigo não são baseados em pesquisas eleitorais.

Leia também:

Como o pré-candidato pode estar atrás de quem nem é candidata?

A presença de Michelle Bolsonaro com cotação superior à de Caiado em um mercado que precifica candidaturas presidenciais explica como mercados preditivos funcionam em relação a candidatos sem chance real de vitória.

A ex-primeira-dama mantém 2% a 3% no Polymarket durante todo o ano de 2026, mesmo sem ter declarado pré-candidatura nem ter sido mencionada como nome alternativo em qualquer estrutura partidária formal. O movimento se explica por dois fatores típicos desse tipo de mercado.

  • Apostas de baixo risco e alto retorno. Quem compra contratos a 2 ou 3 centavos espera retorno de 30 a 50 vezes em caso de virada improvável. Em mercados com volume alto, parte dos contratos é sustentada por esse perfil de apostador, que aceita perder pouco em troca da chance de ganhar muito.
  • Especulação política sobre cenários alternativos. Se Flávio Bolsonaro tiver a candidatura inviabilizada por questões judiciais ou políticas, a transferência natural do espaço bolsonarista pode envolver o nome de Michelle, ainda que sem articulação formal. Esse tipo de "valor de opção" é precificado pelo mercado mesmo na ausência de pré-candidatura.
Tenha Cuidado:

O cenário das eleições no Brasil é incerto e seguirá mudando até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

O que é o Polymarket e por que ele está bloqueado no Brasil?

O Polymarket é uma plataforma internacional de mercados preditivos, sediada nos Estados Unidos e baseada em criptomoedas.

Usuários compram contratos atrelados a eventos do mundo real, como eleições, decisões judiciais, indicadores econômicos e competições esportivas, e o preço do contrato funciona como uma estimativa coletiva de probabilidade.

Se o evento se confirmar, o contrato é liquidado em US$ 1; se não, em zero.

No Brasil, esse tipo de operação está proibido. Em 24 de abril de 2026, foi publicada resolução que veda a oferta e a negociação em território nacional de contratos de previsão vinculados a eventos não financeiros.

A norma entrou em vigor em 4 de maio de 2026 e atinge plataformas internacionais como Polymarket e Kalshi, além de outras 25 empresas do setor.

Juntas, as plataformas de predição somavam mais de 2 milhões de acessos trimestrais no Brasil.

É importante diferenciar dois universos regulatórios que costumam ser confundidos.

O mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil, autorizado pela Lei 14.790/2023 e regulamentado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, opera com licenças nacionais, alíquotas tributárias específicas e mecanismos de proteção ao apostador.

Os mercados preditivos sobre eventos eleitorais, por outro lado, não se enquadram nessa regulamentação e seguem expressamente vedados.

A presença do Polymarket no debate público brasileiro, portanto, é jornalística e analítica, não operacional. As cotações seguem sendo monitoradas pela imprensa nacional como termômetro de percepção do mercado internacional, mas não é possível, nem legalmente permitido, apostar em eleições brasileiras a partir do Brasil.