Apostas na Copa do Mundo movimentam até R$ 4,4 bi em junho

Atualizado: 13 Jul 2026
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Lucas Arraz

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A fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, disputada entre 11 e 27 de junho, movimentou o mercado brasileiro de apostas de um jeito diferente do esperado.

Levantamento do Aposta Legal para o Painel da Copa, com base no tráfego web das casas licenciadas, mostra que os sites de apostas receberam 1,99 bilhão de acessos em junho no Brasil e podem ter levantado certa de R$ 4,4 bilhões de receitas no país em junho.

O número representa uma leve retração de 6,5% frente aos 2,14 bilhões de maio e fica 4,7% abaixo da média mensal dos cinco primeiros meses do ano.

À primeira vista, o dado surpreende: o maior evento esportivo do planeta não inflou o tráfego total dos sites. Mas a leitura conjunta com o comportamento dos aplicativos revela outro fenômeno.

A Copa não ampliou o bolo dos acessos web, ela redistribuiu a atenção do apostador, concentrando o público nas marcas associadas ao torneio e acelerando a migração do site para o app.

Apps de apostas entre os mais baixados do Brasil

O sinal mais claro dessa migração veio das lojas de aplicativos. Durante os jogos do Brasil na fase de grupos, os dois apps mais baixados no país, entre todas as categorias, foram os aplicativos de Betano e Bet365, com cerca de 70 mil downloads em junho.

Não se trata do ranking de apps de apostas, e sim do ranking geral, à frente de redes sociais, bancos e serviços de streaming.

O dado mostra o quão representativo tem sido o alcance desses dois players e da categoria de sports betting nacionalmente.

Parte da queda no tráfego web em junho pode, portanto, refletir justamente essa transferência de audiência para os aplicativos, ambiente que não entra na contagem de acessos ao site.

Market share: metade do mercado está na mão de cinco marcas

A fase de grupos reforçou a concentração do setor. As cinco maiores casas responderam por 51,2% de todos os acessos de junho, e as dez maiores, por 66,1%.

A Betano, patrocinadora oficial da FIFA na Copa, liderou com folga: foram 433,6 milhões de acessos, o equivalente a 21,7% de todo o mercado, com crescimento de 7,9% sobre maio, o maior ganho absoluto do mês (31,9 milhões de acessos a mais). A Superbet veio em seguida, com 229,5 milhões de acessos e 11,5% de share, alta de 6,7%.

Completam o top 5 a Brazino777 (134,3 milhões, 6,7% de share), a Bet365 (119,2 milhões, 6,0%) e a 7games (106,9 milhões, 5,3%).

O contraste dentro do topo da tabela conta a história do mês: enquanto Betano, Superbet e Bet365 cresceram ou se mantiveram estáveis, marcas menos associadas ao futebol e mais dependentes de cassino recuaram. Brazino777 caiu 27,2%, 7games.bet perdeu 32,7% e Sportingbet recuou 26,0% na comparação com maio. Em um mês de Copa, o apostador foi para onde estava o jogo.

Cinco bets concentraram metade dos acessos

Em junho, Betano liderou com 21,7% do mercado; top 10 reuniu 66,1% do tráfego das casas legalizadas

51,2%
dos acessos ficaram nas cinco maiores casas
66,1%
do tráfego ficou concentrado no top 10
0% 5% 10% 15% 20%
ShareAcessosVs. maio
Betano
21,7%433,6+7,9%
Superbet
11,5%229,5+6,7%
Brazino777
6,7%134,3-27%
Bet365
6,0%119,2+0,7%
7games.bet
5,3%106,9-33%
Bet da Sorte
4,0%79,0-7%
Bet7k
3,1%61,9-15%
R7
2,8%56,7-29%
Cassino
2,5%50,0-22%
Sportingbet
2,5%50,0-26%

Fonte: Aposta Legal, Painel das Bets. Valores de acessos em milhões; dados consideram sites de casas legalizadas em junho de 2026.

Bets que mais cresceram na fase de grupos

Considerando apenas casas que já tinham operação relevante em maio, os maiores saltos percentuais de junho foram:

O destaque é a Stake, que mais que triplicou o tráfego em um mês, capturando o apostador de futebol internacional em plena Copa. O Pitaco, plataforma com forte apelo de fantasy e palpites, dobrou de tamanho no período dos jogos.

Entre as casas de porte médio, ICE e H2Bet aproveitaram bem o calendário, com ganhos superiores a 7 milhões e 8 milhões de acessos, respectivamente.

Entre as gigantes, além do avanço de Betano e Superbet, a Esportes da Sorte cresceu 7,4%, revertendo a tendência de queda dos meses anteriores.

Receita estimada: até R$ 4,4 bilhões no mês

Aplicando as estimativas do Aposta Legal, o mercado teria gerado cerca de R$ 2,95 bilhões em junho. Esse, porém, é o piso da estimativa. Em meses de Copa, o valor por acesso tende a subir: o apostador visita o site com intenção de apostar, o ticket médio cresce e a frequência de apostas por sessão aumenta.

Ajustando o cálculo para junho, mês em que o torneio ocupou dois terços do calendário, a receita bruta estimada chega a R$ 4,43 bilhões.

Sobre esse GGR incide a alíquota de 13% vigente em 2026. Isso significa uma arrecadação estimada entre R$ 384 milhões e R$ 576 milhões apenas em junho, somente com o imposto sobre a receita bruta das operadoras, sem contar outorgas, IRPJ e demais tributos da cadeia.

Com a fase eliminatória concentrada em julho, quando o multiplicador de pico projeta o dobro da intensidade de apostas por acesso, o mês da final tende a estabelecer o recorde de arrecadação do setor.

Se a fase de grupos já colocou dois apps de apostas no topo dos downloads do país e concentrou metade do tráfego em cinco marcas, a fase mata-mata deve amplificar o movimento. O monitoramento do Aposta Legal seguirá acompanhando os acessos mês a mês até o fechamento do torneio, em 19 de julho