Neymar na Copa vira aposta milionária no exterior

Atualizado: 21 Jun 2026
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Lucas Arraz

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A pergunta que acompanha Neymar desde antes da convocação para a Copa do Mundo 2026 agora também virou um mercado milionário de apostas: afinal o camisa 10 do Brasil vai jogar o Mundial?

A poucos dias de o Brasil decidir o futuro no Mundial contra a Escócia, uma das maiores apostas sobre a seleção não está nos gramados. No Polymarket, o maior mercado de previsões do mundo, a pergunta "Neymar vai jogar na Copa do Mundo?" Já acumulou mais de R$ 16,7 milhões em apostas desde março.

Atenção!

Polymarket está bloqueado no Brasil e os mercados de previsão não são permitidos no país. As informações deste texto têm caráter apenas informativo.

E mesmo com Ancelotti confirmando o retorno do jogador, os apostadores ainda recusam cravar certeza: a chance de "sim" está em 91%, com quase um décimo do mercado insistindo que ele não joga.

As apostas sobre Neymar já superam, em volume, apostas mais tradicionais da Copa, como disputas sobre artilharia e até jogos relevantes desta semana.

A partida entre Espanha e Arábia Saudita, por exemplo, aparece com cerca de R$ 11 milhões movimentados no Polymarket.

O dado curioso é quem está apostando. Como o Polymarket opera com criptomoedas e está bloqueado para usuários no Brasil, todo esse interesse pela situação de Neymar vem de fora. Estrangeiros, na prática, medem o termômetro coletivo sobre o jogador.

Neymar não é certeza para apostadores

Hoje, a confiança dos apostadores é alta. Cerca de 91% acreditam que Neymar vai entrar em campo em algum momento da Copa. Ainda assim, há uma fatia de 9% que continua apostando no contrário.

Esse resíduo de desconfiança é o ponto mais interessante da história. Carlo Ancelotti já indicou que Neymar deve estar disponível para o jogo contra a Escócia, na próxima quarta-feira, 24 de junho, pela última rodada da fase de grupos. O treinador afirmou que o camisa 10 voltaria aos treinos individuais e, depois, ao trabalho com o restante do elenco.

Em tese, seria o bastante para encerrar a discussão. Mas, no mercado de predição, a resposta ainda não virou 100%.

A razão está no contexto. Neymar chegou à Copa cercado por dúvidas físicas e esportivas.

Convocado mesmo após uma sequência irregular no Santos e em meio a um histórico recente de lesões, o atacante ainda não conseguiu estrear no Mundial. Ele ficou fora da partida contra o Haiti, não viajou com a delegação brasileira para o jogo e permaneceu em recuperação de uma lesão na panturrilha direita.

Odds mostram confiança frágil e muita oscilação

A evolução das probabilidades mostra como o sentimento dos apostadores mudou ao longo das últimas semanas, mas também como essa confiança continua sensível a qualquer notícia.

Antes da convocação, em 21 de abril, a chance de Neymar jogar a Copa era de apenas 34% para os apostadores. Naquele momento, o mercado ainda via o camisa 10 como uma dúvida distante: um jogador tecnicamente incontornável, mas fisicamente pouco confiável.

A convocação mudou tudo. Em 18 de maio, quando o nome de Neymar apareceu na lista, a probabilidade disparou para 95%. Foi o momento em que o mercado praticamente comprou a ideia de que, se ele estava convocado, jogaria.

Mas a confiança durou pouco nesse patamar. Em 11 de junho, a chance já havia recuado para 92%. No dia 15, caiu ainda mais, para 81%. Agora, com a sinalização de Ancelotti sobre a possível volta contra a Escócia, subiu novamente para 91%.

A sequência resume bem a relação dos apostadores com Neymar: há confiança, mas não há tranquilidade.

O mercado parece entender que Neymar está perto de jogar, mas não trata a estreia como algo garantido. As odds sobem com uma declaração positiva, caem com uma ausência, voltam a subir com uma atualização médica e seguem abertas para a possibilidade de nova frustração. É uma confiança elástica, que muda rápido porque o próprio Neymar virou um ativo de risco dentro da Copa.

Apostas inusitadas na Copa do Mundo 2026

O caso também mostra uma mudança curiosa na forma como a Copa é consumida nos mercados de predição. O interesse não está apenas em resultados, gols ou títulos. Há dinheiro sendo negociado em torno de narrativas.

No caso de Neymar, a aposta não pergunta se ele será decisivo, se fará gols ou se levará o Brasil ao título. A questão é anterior: ele vai conseguir jogar?

Mas esse mercado não é o único exemplo de como a Copa de 2026 virou terreno fértil para apostas pouco convencionais.

Com a expansão para 48 seleções e a presença de equipes menos tradicionais no torneio, há mercados que especulam, por exemplo, se alguma seleção terminará a fase de grupos sem vencer. Neste momento, o “sim” aparece com probabilidade acima de 99%, reflexo de uma edição mais ampla e mais desigual tecnicamente.

Cristiano Ronaldo também concentra mercados próprios. Há apostas sobre ele marcar ou não um gol de falta na Copa, com probabilidade em torno de 16%, e sobre anotar mais de dois pênaltis, cenário estimado em cerca de 40%.

Outro mercado curioso envolve o campeão invicto. A possibilidade de o vencedor da Copa terminar o torneio sem derrota aparece com 76% de chance. A leitura por trás disso é simples: em um Mundial maior, com mais seleções e mais desequilíbrio na fase de grupos, os favoritos têm mais margem para construir campanhas dominantes antes dos confrontos mais duros do mata-mata.

Entre os favoritos ao título, a França aparece como a principal força da semana nos mercados de predição.