Copa 2026: as maiores zebras e duelos prováveis das oitavas

Atualizado: 30 Jun 2026
1580467910557.jpg

Lucas Arraz

Sobre o autor

Jornalista e analista de dados, atua na produção de conteúdos e estudos sobre o mercado de apostas e sua regulamentação no Brasil.Leia mais
Analista de dados
ricardo gugel

Ricardo Gugel

Sobre o autor

Analiso cada conteúdo com atenção para garantir informações claras, confiáveis e de qualidade.Leia mais
Editor

A fase de grupos da Copa do Mundo 2026 fechou com uma combinação rara para o novo formato com 48 seleções.

A maior parte dos favoritos cumpriu o roteiro previsto, mas alguns resultados que escaparam das projeções das casas de aposta foram suficientes para reorganizar o mata-mata.

Antes da bola rolar nas 16-avos de final, vale olhar para trás e identificar as maiores zebras da primeira fase.

Depois, a partir das probabilidades de classificação em cada confronto eliminatório, é possível projetar quais seriam os duelos mais prováveis das oitavas de final.

As cinco maiores zebras da fase de grupos

O ranking considera a probabilidade implícita pré-jogo e a diferença entre a expectativa do mercado e o resultado final. Por isso, a lista combina derrotas de favoritos, classificações improváveis e campanhas que ficaram distantes do que as odds indicavam antes ou durante a fase de grupos.

O resultado mais distante da expectativa de mercado aconteceu na terceira rodada do Grupo E, quando o Equador venceu a Alemanha por 2 a 1 em Nova York. Os alemães chegaram ao jogo invictos, depois de aplicar 7 a 1 no Curaçao na estreia e vencer a Costa do Marfim por 2 a 1 na segunda rodada.

A derrota mudou pouco a situação da Alemanha, que terminou o grupo em primeiro lugar mesmo assim, mas teve impacto direto no desenho do mata-mata. O Equador garantiu vaga entre os melhores terceiros colocados e abriu caminho para um duelo sul-americano contra o México já nas 16-avos.

A segunda maior zebra em jogo isolado veio em Los Angeles, com a derrota dos Estados Unidos por 3 a 2 para a Turquia na rodada final do Grupo D. Os americanos jogavam em casa, haviam estreado com 4 a 1 sobre o Paraguai e tinham na vitória contra a Turquia o caminho mais limpo para fechar a chave com nove pontos.

Mesmo com o tropeço, os Estados Unidos seguiram na liderança do grupo. A Turquia, por outro lado, terminou na lanterna, mas deixou a Copa com uma vitória de peso contra uma das seleções anfitriãs.

A história mais simbólica da fase de grupos veio do Grupo H. Cabo Verde, em sua primeira Copa do Mundo, avançou em segundo lugar com três empates e nenhuma vitória. Os três pontos contra Espanha, Arábia Saudita e Uruguai vieram em jogos defensivamente disciplinados e foram suficientes para uma classificação inédita.

A campanha cabo-verdiana mostra como o formato com 12 grupos e classificação de melhores terceiros pode beneficiar seleções que conseguem competir com estabilidade, mesmo sem grande produção ofensiva. Em termos de expectativa contra resultado, poucas campanhas fugiram tanto do roteiro inicial quanto a de Cabo Verde.

A eliminação do Uruguai entra na lista pelo peso esportivo e institucional. A seleção terminou o mesmo Grupo H em terceiro lugar, com apenas dois pontos, atrás do Cabo Verde estreante. A Celeste empatou com Arábia Saudita na estreia, repetiu o placar contra Cabo Verde na segunda rodada e perdeu para a Espanha por 1 a 0 na decisão.

Ficar fora do mata-mata mesmo em um Mundial ampliado para 32 classificados foi um dos desfechos mais inesperados da primeira fase. Mais do que uma zebra de um jogo só, a queda uruguaia foi uma zebra de campanha.

A quinta surpresa é mais sutil, mas também mexeu com as projeções. O Egito terminou invicto no Grupo G, com cinco pontos, a mesma pontuação da líder Bélgica. A seleção empatou com Bélgica e Irã antes de vencer a Nova Zelândia por 3 a 1 e garantir a vaga em segundo lugar.

Em um grupo que tinha a Bélgica como favorita absoluta, a regularidade egípcia foi um dos resultados coletivos mais subestimados pelo mercado. Sem grandes goleadas ou uma vitória contra o principal favorito da chave, o Egito avançou pela consistência.

Oitavas de final da Copa: resultados

A definição dos confrontos de 16-avos e as probabilidades de classificação permitem desenhar os oito duelos das oitavas de final. Dois já estão definidos depois das eliminações de Alemanha e Holanda na primeira jornada do mata-mata. Os seis restantes seguem como projeção, considerando em cada caso a seleção com maior chance de avançar segundo o mercado.

Na metade do bracket que leva à semifinal de Dallas, as 16-avos já deixaram duas definições inesperadas. O Paraguai eliminou a Alemanha por 4 a 3 nos pênaltis após o 1 a 1 no tempo normal, despachando a tetracampeã que entrava com 74% de chance de classificação.

O Marrocos repetiu a dose contra a Holanda, também nos pênaltis, em uma cobrança decidida com quatro batidas erradas. Com essas duas eliminações, dois confrontos das oitavas já estão marcados: Canadá contra Marrocos no sábado em Houston, e Paraguai contra o vencedor de França e Suécia, também no sábado, em Filadélfia.

Ainda na mesma metade do bracket, aparecem dois dos confrontos projetados mais fortes das oitavas, ambos no quarto que leva à quarta de final de Los Angeles.

O primeiro é Espanha contra Portugal, caso a Espanha confirme os 76% de favoritismo sobre a Áustria e Portugal passe pela Croácia, que aparece à frente no mercado com 54% a 20%. Um clássico ibérico em mata-mata de Copa, ainda nas oitavas, seria um dos grandes efeitos colaterais do novo formato.

O segundo é Bélgica contra Estados Unidos. A Bélgica é favorita contra o Senegal, com 45% a 26%, enquanto os americanos têm 72% de chance diante da Bósnia. Para os Estados Unidos, seria também a chance de transformar o tropeço contra a Turquia em ruído de fase de grupos, não em sinal de alerta para o mata-mata.

Na metade que leva à semifinal de Atlanta, o Brasil ratificou o favoritismo com uma vitória de virada por 2 a 1 sobre o Japão nas 16-avos e pode cruzar com a Noruega nas oitavas, projetada como favorita diante da Costa do Marfim por 48% a 26%. Brasil contra Noruega seria o primeiro jogo eliminatório de maior peso para a Seleção em uma chave que tem a Inglaterra como cruzamento mais provável nas quartas.

Logo abaixo, México contra Inglaterra mistura tradição, momento e fator casa. Os ingleses aparecem entre os favoritos do bracket inferior, com 78% de chance contra a República Democrática do Congo. Já os mexicanos partem em vantagem contra o Equador, com 44% a 26%.

Fecham a parte de baixo do bracket dois confrontos mais previsíveis pelo mercado. O primeiro é Argentina contra Egito. Os argentinos aparecem como favoritos absolutos do recorte, com 86% de chance contra Cabo Verde, e o Egito deve superar a Austrália em um jogo mais equilibrado, com 39% a 28%. O segundo é Suíça contra Colômbia: os colombianos são favoritos contra Gana, com 63% de chance, e os suíços chegam com 48% diante da Argélia.

Adversários do Brasil na Copa

Se o mercado estiver certo, as oitavas terão pelo menos um jogo clássico que poderia aparecer em fases mais avançadas de outros Mundiais: Espanha contra Portugal. A queda de Alemanha e Holanda na primeira jornada do mata-mata reduziu o cardápio de cruzamentos de elite que ainda podiam acontecer tão cedo no torneio.

A presença desse confronto ibérico já nas oitavas é consequência direta de como a fase de grupos se desenhou. França, Espanha, Argentina e México foram as únicas seleções a terminar a primeira fase com nove pontos, mas o novo formato espalhou favoritos e candidatos ao título por caminhos menos previsíveis.

Para o Brasil, o caminho projetado até uma eventual semifinal passa por Noruega ou Costa do Marfim nas oitavas e Inglaterra como cruzamento mais provável nas quartas. Não é uma rota fácil, mas ainda é uma chave administrável para uma seleção que chegou ao mata-mata em posição favorável e agora precisa transformar favoritismo em desempenho.