Brasil lidera acesso a mercados de predição na América Latina

Atualizado: 12 Abr 2026

Os mercados de predição, um tipo de aposta ligado à especulação financeira, seguem ganhando espaço no Brasil mesmo sem uma regulamentação específica.

Em meio a esse cenário de incerteza jurídica, o país já se tornou a principal fonte de tráfego da América Latina a plataformas como Kalshi e Polymarket.

O avanço ocorre apesar da ausência de regras claras para esse tipo de operação.

Diferentemente das apostas esportivas, os mercados preditivos ainda não possuem enquadramento legal definido no Brasil, o que cria uma área cinzenta entre investimento financeiro e aposta.

Ainda assim, o interesse cresce. Dados de tráfego indicam que o Brasil já é o maior mercado latino-americano para as duas principais plataformas globais do segmento.

Kalshi cresce com Brasil líder na região

Globalmente, o Kalshi registrou cerca de 34,78 milhões de acessos no primeiro trimestre. Aproximadamente 80% desse volume vem dos Estados Unidos e do Canadá, evidenciando a força do mercado no hemisfério norte.

Mesmo assim, o Brasil aparece como destaque fora desse eixo. Foram cerca de 250 mil acessos vindos do país no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 28% em relação ao período anterior.

Os dados são do Painel das Bets, ferramenta do Aposta Legal que acompanha o mercado de apostas.

Com isso, o Brasil se consolida como o principal mercado da América Latina para a plataforma e um dos novos polos de expansão global.

Apesar do avanço, a presença ainda é limitada. O Kalshi não aparece entre os 29 mil sites mais acessados do país, o que indica um uso mais concentrado em um público de nicho, especialmente investidores com acesso ao mercado internacional.

A plataforma também não é regulamentada no país, mas fazer apostas sobre o futuro nela é possível graças a uma parceria com o banco XP Investimentos.

Polymarket figura entre sites mais acessados do Brasil

No caso do Polymarket, o crescimento é ainda mais expressivo em termos de escala.

A plataforma somou cerca de 122 milhões de acessos globais no primeiro trimestre de 2026. Desse total, aproximadamente 1,46 milhão vieram do Brasil.

O número representa um crescimento de 85% no tráfego brasileiro em relação ao trimestre anterior. Trata-se de um dos maiores avanços globais da plataforma, atrás apenas de mercados como Vietnã e Itália, que registraram altas superiores a 100%.

Diferentemente do Kalshi, o Polymarket já possui presença mais consolidada no país. O site figura entre os 4 mil mais acessados do Brasil, sinalizando um alcance mais amplo e menos restrito a perfis especializados.

Zona cinzenta regulatória não impede avanço

O crescimento das duas plataformas ocorre em um ambiente de indefinição legal.

Hoje, os mercados de previsão não são regulamentados no Brasil, o que levanta dúvidas sobre proteção ao investidor, transparência e supervisão dessas operações.

Mesmo assim, o interesse institucional começa a surgir. A B3 já sinalizou que avalia a possibilidade de desenvolver produtos semelhantes, o que indica que o modelo pode ganhar espaço dentro do mercado financeiro tradicional.

Interesse cresce, mas uso ainda é restrito

Os dados mostram um paradoxo. O Brasil já lidera o acesso a mercados de previsão na América Latina, mas ainda está distante de uma adoção massiva.

Enquanto plataformas como o Polymarket começam a ganhar escala, outras, como o Kalshi, permanecem mais concentradas em perfis de investidores com maior familiaridade com o mercado internacional.

A tendência, no entanto, é de crescimento. Com maior visibilidade global e avanço do debate regulatório, os mercados de previsão podem deixar de ser um nicho e passar a ocupar um espaço mais relevante no ecossistema financeiro brasileiro.

Mercados de previsão são legais no Brasil?

Não. As plataformas de previsão como Kalshi e Polymarket não são regulamentadas no Brasil e, por isso, não são consideradas uma opção confiável para usuários no país.

Embora seja legal e supervisionado nos Estados Unidos, essa proteção não se estende ao Brasil.

Na prática, isso significa que o usuário brasileiro não conta com garantias legais, suporte local ou mecanismos de proteção ao consumidor.

Mesmo com uma estrutura sólida no exterior, a ausência de respaldo local expõe o uso a riscos operacionais e limitações.

Por isso, apesar de legítimo em seu país de origem, o uso no Brasil não oferece o mesmo nível de segurança de serviços autorizados.

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