Kalshi chega ao Brasil em parceria com a XP

Atualizado: 12 Abr 2026
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Lucas Arraz

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A plataforma de mercados de previsão Kalshi iniciou sua entrada no Brasil por meio de uma parceria com a XP Investimentos, que permitirá o acesso a esse tipo de aposta para uma parcela específica de investidores brasileiros.

Na prática, o produto estará disponível inicialmente apenas para clientes da Clear com conta internacional ativa, marcando a chegada de uma nova classe de ativos ao país, já consolidada em mercados como o dos Estados Unidos.

O movimento acontece em um momento de zona cinzenta regulatória no Brasil, em que mercados de previsão ainda não foram definidos como investimentos ou um tipo de aposta para a legislação.

Resumo rápido: o Kalshi é uma plataforma de prediction market regulamentada nos Estados Unidos, onde usuários negociam a probabilidade de eventos futuros. No entanto, não é regulamentado no Brasil, não conta com proteção local e, por isso, não é considerado uma opção confiável para usuários brasileiros.

Diferentemente das apostas esportivas, os mercados de previsão, que permitem negociar resultados de eventos como inflação, juros ou eleições, ainda não possuem uma regulamentação específica no país, apesar de já atraírem interesse crescente e operarem indiretamente por meio de plataformas internacionais.

Fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, o Kalshi se posiciona como uma das principais plataformas globais desse segmento.

A empresa disputa espaço com nomes como o Polymarket, que também oferece contratos baseados em eventos do mundo real e já registra crescimento acelerado em diversos mercados, inclusive o Brasil.

Como acessar o Kalshi no Brasil?

O acesso a Kalshi no Brasil ainda é limitado e não ocorre de forma direta para a maioria dos usuários. Atualmente, a plataforma está disponível para investidores por meio da parceria com a XP, especificamente para clientes da Clear que possuem conta internacional ativa.

Na prática, isso significa que o investidor precisa ter uma conta em uma corretora com acesso ao mercado externo para operar os contratos oferecidos pela plataforma.

Fora desse modelo, o uso direto do Kalshi segue restrito ao ambiente internacional, já que a empresa opera sob regulação dos Estados Unidos e não possui autorização específica para atuação no Brasil.

Além disso, por se tratar de um mercado ainda não regulamentado no país, é importante que o investidor avalie os riscos relacionados à proteção, transparência e enquadramento legal antes de acessar esse tipo de produto.

Expansão global e chegada ao Brasil

Globalmente, a Kalshi concentrou cerca de 34,78 milhões de acessos no primeiro trimestre, com forte concentração no hemisfério norte.

Aproximadamente 80% de todo o tráfego vem dos Estados Unidos e do Canadá, evidenciando que o mercado ainda é dominado por investidores dessas regiões.

Na América Latina, porém, o Brasil já desponta como principal ponto de interesse, sendo o país da região que mais acessa a plataforma.

Foram cerca de 250 mil acessos no primeiro trimestre, em um crescimento de 28% em relação ao trimestre anterior.

Com isso, o Brasil se torna hoje o principal mercado da Kalshi na América do Sul, fora do eixo central de atuação da plataforma e o nono país que mais acessou a plataforma.

Apesar disso, a presença ainda é incipiente. O site não figura entre os 29 mil mais acessados do país, o que indica que o uso ainda está restrito a um público mais nichado, ligado principalmente a investidores com acesso a contas internacionais.

Você sabia?

A B3, bolsa de valores brasileira, já sinalizou que avalia a possibilidade de desenvolver produtos semelhantes, o que reforça o potencial de institucionalização desse modelo no país

A chegada do Kalshi ao Brasil sinaliza o início de um movimento mais amplo de expansão dos mercados de previsão, que vêm ganhando relevância global como ferramenta de análise e negociação de cenários.

Ainda restrito a um público específico e operando em um ambiente regulatório indefinido, o segmento deve evoluir à medida que cresce o interesse institucional e avança o debate sobre sua regulamentação no país.

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