Lula fala em proibir apostas no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elevar o tom sobre o mercado de apostas esportivas no Brasil ao afirmar que considera a possibilidade de encerrar as atividades das casas de bets no país, regulamentadas há mais de um ano.
Durante entrevista ao portal ICL Notícias, Lula classificou o cenário atual como de “jogatina desenfreada” e indicou que a continuidade das apostas no país deveria ser reavaliada, embora tenha reconhecido que qualquer mudança depende da aprovação do Congresso Nacional.
Segundo o governo federal, em 2025, pelo menos 1 em cada 10 brasileiros apostaram em uma plataforma de apostas legal no Brasil.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que eles (bets) financiam, eu só não posso citar nomes, porque eu não sou juiz, não sou policial, mas todo mundo sabe os deputados, partidos, quem são os senadores… Todo mundo sabe. Então não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país”
A fala do presidente se insere em um contexto econômico desafiador para o governo. Dados recentes mostram que 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Diante disso, o governo estuda novas medidas para aliviar o orçamento doméstico, incluindo um possível programa de renegociação de dívidas com foco na população de baixa renda.
Casas de apostas rebatem presidente
Por outro lado, representantes do setor de apostas defendem que a regulação é o caminho mais eficaz para lidar com os riscos associados ao jogo.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) afirma que o mercado legal oferece mecanismos de proteção ao usuário que não existem no ambiente ilegal, como limites de apostas, restrições de depósito e ferramentas de autoexclusão.
A entidade também chama atenção para o peso do mercado clandestino. Estimativas indicam que cerca de 51% das apostas no Brasil ainda ocorrem fora do sistema regulado, movimentando aproximadamente R$ 40 bilhões por ano e gerando perdas significativas de arrecadação para o país.
Do ponto de vista econômico, o setor regulado destaca sua contribuição fiscal e social. Em 2025, as plataformas licenciadas geraram quase R$ 5 bilhões em tributos federais, além de destinações que financiam áreas como esporte, turismo, educação e segurança pública.
Outro ponto levantado pelo IBJR é que o gasto com apostas representa uma parcela relativamente pequena do consumo das famílias, estimada entre 0,2% e 0,5%, enquanto o principal fator de endividamento segue sendo o uso do cartão de crédito.
O debate, portanto, se divide entre a preocupação com os impactos sociais das apostas e a defesa de um modelo regulado como forma de garantir proteção ao consumidor e arrecadação ao Estado. Sem definição imediata, o tema deve continuar no centro das discussões em Brasília, especialmente diante de propostas que vão desde maior tributação até restrições mais amplas ao setor.
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