Perda de controle é a maior razão de quem decide sair das bets

Atualizado: 30 Mar 2026
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Lucas Arraz

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Os primeiros dados oficiais sobre jogo responsável no Brasil mostram que a escolha por sair das plataformas de apostas está diretamente associada a questões de comportamento e saúde mental.

Em 2025, mais de 217 mil brasileiros solicitaram autoexclusão das bets, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas.

O número, por si só relevante, ganha mais força quando analisado pelos motivos que levam o usuário a tomar essa decisão.

A principal razão apontada é perda de controle sobre o jogo associada à saúde mental, responsável por 36,83% dos pedidos.

Trata-se do maior fator isolado entre os motivos informados, à frente de preocupações com uso de dados (24,48%), decisão voluntária (14,87%) e dificuldades financeiras (10,03%).

O que é a autoexclusão e como funciona no Brasil

A autoexclusão é um mecanismo de proteção que permite ao usuário se bloquear das plataformas de apostas de forma voluntária.

No modelo atual brasileiro, o processo foi centralizado pelo governo federal. Isso significa que, ao fazer a solicitação, o usuário não precisa mais entrar site por site para pedir o bloqueio.

Na prática, o sistema garante três efeitos principais:

  • bloqueio de todas as contas ativas em bets legalizadas
  • impedimento de abertura de novas contas
  • interrupção do envio de publicidade segmentada

Após a solicitação, as operadoras têm um prazo de até 72 horas para aplicar o bloqueio completo.

Vale ressaltar que o processo de autoexclusão é efetivo apenas para bloquear o usuário de casas de apostas legais.

As bets ilegais não obedecem o conjunto de regras do governo federal e, quando no ar, ainda podem tentar atrair o apostador com práticas que destoam do projeto de jogo responsável.

Segundo o Painel das Bets, o mercado ilegal de apostas movimentou mais de R$ 14 bilhões em 2025.

7 em cada 10 que deixam bets optam por bloqueio definitivo

O dado indica que a auto exclusão não está concentrada apenas em casos extremos, mas reflete diferentes níveis de desconforto com o hábito de apostar. Ainda assim, o fato de a perda de controle liderar os pedidos sugere que uma parcela relevante dos usuários já reconhece sinais de comportamento compulsivo no uso das plataformas.

Esse movimento fica ainda mais evidente quando se observa o tempo de afastamento escolhido.

Mais de 73% dos usuários que pediram autoexclusão optaram por bloqueio sem prazo para acabar, enquanto 18,89% escolheram um período de 12 meses. As demais opções representam uma fração pequena do total.

Na prática, isso mostra que a decisão de sair das bets não é, na maioria dos casos, uma pausa momentânea. É uma tentativa de interrupção prolongada ou definitiva do contato com as plataformas.

O dado ganha ainda mais relevância quando colocado no contexto do crescimento do setor. No mesmo período, o Brasil registrou mais de 25 milhões de apostadores e bilhões em acessos às plataformas. Ainda assim, centenas de milhares de usuários recorreram a um mecanismo formal para se afastar do ambiente.

O resultado é um retrato mais completo do mercado no país. Ao mesmo tempo em que cresce em escala e receita, o setor também começa a expor sinais de desgaste em parte da base, especialmente ligados à saúde mental e ao controle do comportamento de jogo.

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