De Betway a Parimatch: 10 bets que saíram do Brasil após a regulação
Durante anos, entrar no mercado brasileiro de apostas exigia menos que um site em português com o domínio bet.br, meios de pagamento locais e investimento em publicidade.
A regulação mudou essa conta.
Desde janeiro de 2025, uma empresa precisa pagar R$ 30 milhões por uma autorização federal válida por cinco anos, manter sede e administração no Brasil, ter um sócio brasileiro com pelo menos 20% do capital social, certificar seus sistemas e cumprir regras de identificação, pagamentos, publicidade e jogo responsável.
Cada outorga cobre até três marcas. Para quem pretendia operar apenas uma plataforma ou ainda não tinha escala no país, o custo passou a ser difícil de justificar. Para grupos estrangeiros sem parceiro local, a exigência societária pesou tanto quanto o valor da outorga.
Antes de apostar, confirme se o domínio termina em .bet.br e se a marca aparece na lista oficial da SPA/MF.
O resultado foi uma seleção que começou antes mesmo da abertura oficial do mercado regulado. Marcas internacionais desistiram da licença, operações menores fecharam e grupos com vários sites concentraram seus clientes em uma única plataforma.
Hoje, a lista federal de casas de apostas reguladas reúne 188 marcas legais, distribuídas entre 82 empresas e 85 autorizações
Levantamento do Aposta Legal, com base em comunicados das empresas, notícias da época e na lista federal atualizada em agosto de 2026, identificou dez marcas conhecidas que ficaram pelo caminho.
Nem todas quebraram. Algumas desistiram, outras foram vendidas e houve também quem pedisse autorização, mas não chegasse ao mercado definitivo.
Betway desistiu mesmo depois de entrar na fila
A Betway foi uma das saídas mais representativas da transição.
A marca, do grupo Super Group, chegou a aparecer entre as empresas habilitadas a funcionar durante o período de adequação, mas decidiu não seguir com o processo para obter a licença definitiva.
Em novembro de 2024, suspendeu depósitos e orientou os clientes a retirar os saldos. Os depósitos foram aceitos até 6 de novembro. No comunicado, a empresa informou que não daria continuidade à aquisição da autorização brasileira.
A decisão chamou atenção pelo tamanho internacional da empresa. A Betway era patrocinadora da camisa do West Ham desde 2015 e parceira global de apostas do Arsenal desde a temporada 2023/24, além de acumular acordos anteriores com clubes como Schalke 04 e Atlético de Madrid.
A marca, porém, concluiu que a nova estrutura não justificava sua permanência. Segundo o comunicado publicado na época, as atividades foram encerradas em 13 de novembro de 2024.
Foi o caso mais claro de uma empresa que chegou à porta do mercado regulado, mas preferiu não pagar para entrar.
Dafabet saiu e deixou o Guarani sem a marca
A Dafabet seguiu um caminho mais direto.
Entre 9 e 10 de outubro de 2024, a empresa anunciou que deixaria de atender apostadores no Brasil. A plataforma não apareceu na relação de bets autorizadas durante a transição, saiu do ar em 11 de outubro junto com cerca de 2 mil sites irregulares e liberou saques até o dia 15.
A saída teve reflexos fora do ambiente digital. A Dafabet era patrocinadora máster do Guarani e estampava sua marca na camisa do clube na Série B. A parceria havia começado em julho daquele ano e durou pouco mais de três meses.
Com a proibição de publicidade para empresas não habilitadas, a presença da marca no futebol brasileiro também se tornou inviável. O encerramento foi anunciado em 9 de outubro, enquanto o governo iniciava o bloqueio das plataformas irregulares.
AmuletoBet fechou antes do prazo da licença
A AmuletoBet não esperou a abertura do mercado regulado.
A empresa comunicou em agosto de 2024 que encerraria suas operações no país a partir de 9 de setembro. O anúncio ocorreu poucos dias antes do primeiro prazo para os pedidos de autorização federal.
Os clientes foram orientados a sacar os valores depositados. A marca não apresentou um pedido dentro da janela inicial de licenciamento e ficou fora da fase de transição.
O caso mostra que a seleção não começou em janeiro de 2025. Quando as exigências e o valor da outorga se tornaram conhecidos, algumas plataformas já decidiram abandonar o país.
Arena Esportiva cancelou até contratos recém-assinados
A Arena Esportiva também encerrou a operação em 2024, e foi explícita quanto ao motivo: disse discordar das novas regras do governo federal.
A empresa havia contratado Davi Brito, vencedor do BBB 24, em um acordo divulgado como sendo de R$ 250 mil por mês. O contrato durou cerca de 45 dias. Pouco depois, a marca encerrou suas atividades no Brasil e cancelou os acordos comerciais.
A Arena Esportiva não avançou para o mercado federal e não aparece na lista atual da Secretaria de Prêmios e Apostas.
A velocidade da saída expôs um dos problemas do período anterior à regulação: algumas bets investiam de forma agressiva em influenciadores e visibilidade antes de consolidar uma estrutura capaz de atender às novas exigências.
Vera&John saiu, mas não virou a atual Vera
A Vera&John, operada pela Dumarca Gaming Limited, encerrou o atendimento a clientes brasileiros em 26 de julho de 2024.
A plataforma interrompeu apostas e depósitos, mantendo temporariamente o acesso para que os usuários retirassem os saldos. O prazo informado para os saques terminava em 23 de agosto daquele ano.
A saída aconteceu antes da primeira lista de empresas aptas ao período de transição.
O nome pode gerar confusão com a Vera, atualmente autorizada no domínio vera.bet.br. As duas marcas não são a mesma operação.
A atual Vera pertence à Ana Gaming, grupo que também controla 7K e Cassino — os três domínios aparecem sob o mesmo CNPJ na lista federal. A antiga Vera&John era uma marca internacional de outro grupo empresarial e deixou o país antes da abertura do mercado regulado.
Parimatch vendeu a operação para a VBet
A Parimatch não desapareceu por falta de reconhecimento. A empresa tinha uma das maiores vitrines do futebol brasileiro: o patrocínio máster do Botafogo, contratado em janeiro de 2023.
Ainda assim, o grupo Growe, que controla a marca globalmente, anunciou em 10 de dezembro de 2024 a venda da operação brasileira para a VBet. Em fevereiro de 2025, a antiga marca encerrou também os demais contratos de patrocínio mantidos no Brasil.
O contrato com o Botafogo venceu no fim de 2024, e a VBet fechou um acordo novo, anunciado em 6 de janeiro de 2025: R$ 55 milhões por ano, por três temporadas. A Parimatch pagava R$ 27,5 milhões por ano.
A saída da Parimatch representa uma forma diferente de consolidação. A operação e parte dos ativos continuaram, mas sob outra bandeira — e por um preço maior. A regulação não esfriou o mercado publicitário do futebol; redistribuiu quem podia pagar por ele.
Na lista atual do Ministério da Fazenda, a VBet aparece entre as marcas da SC Operating Brazil. A Parimatch não aparece.
Pagbet foi absorvida pela Betnacional
A Pagbet não saiu por causa de um bloqueio nem por desistência completa do grupo controlador.
A marca foi descontinuada e sua base transferida para a Betnacional, plataforma mais conhecida do mesmo grupo NSX. O movimento não foi isolado: a Mr. Jack Bet, também da NSX, seguiu o mesmo caminho em meados de 2025.
Os usuários puderam migrar dados, credenciais e saldos, mantendo login e senha. A decisão concentrou os investimentos em uma marca com maior presença nacional e mais força comercial no futebol.
A lógica está ligada ao desenho da regulação. Como cada licença de R$ 30 milhões permite operar até três marcas, manter diversas plataformas com estruturas e investimentos separados passou a exigir uma justificativa comercial mais clara.
Na licença atual do grupo NSX aparece apenas a Betnacional. A Pagbet deixou de existir como operação independente.
Betmotion pediu licença, mas não chegou à lista definitiva
O caso da Betmotion é um dos mais emblemáticos da transição.
Em agosto de 2024, a própria empresa anunciou que havia solicitado autorização federal. Em 1º de outubro, comemorou a inclusão na lista provisória de plataformas que poderiam continuar funcionando até o fim daquele ano — uma relação com 193 sites de 89 empresas.
A situação mudou na etapa definitiva. Das 89 empresas daquela lista provisória, o mercado regulado chegou a 2026 com 82.
A Betmotion não aparece na lista federal atualizada pelo Ministério da Fazenda. Em 2025, usuários passaram a relatar períodos com o site fora do ar e dificuldades de acesso. Em 2026, a plataforma já era apresentada como indisponível para jogadores localizados no Brasil.
Isso mostra que participar da fase de transição não garantia uma autorização. As empresas ainda precisavam apresentar documentos, certificados técnicos, comprovação financeira e efetuar o pagamento da outorga.
Bodog ficou fora do mercado federal
A Bodog era uma marca conhecida por apostadores brasileiros muito antes da Lei das Bets.
Apesar disso, não pediu autorização e foi bloqueada na leva de outubro de 2024, quando o governo derrubou os sites que estavam fora da lista provisória. Os apostadores tiveram até 10 de outubro para encerrar contas e retirar saldos.
Diferentemente de Betway e Dafabet, não houve um grande comunicado público detalhando uma retirada organizada.
O efeito prático, porém, foi semelhante para o usuário brasileiro: sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas e sem um domínio oficial terminado em "bet.br", a marca deixou de integrar o mercado nacional legalizado. Só no primeiro ano de mercado regulado, a SPA registrou mais de 25 mil sites ilegais bloqueados.
Betsat perdeu a camisa do Vitória e sumiu da lista
A Betsat chegou a ocupar um dos espaços mais valorizados da publicidade esportiva.
A marca foi patrocinadora máster do Vitória em 2024, temporada em que o clube retornou à Série A do Campeonato Brasileiro, em um contrato de R$ 7,2 milhões por ano.
Na virada para 2025, o acordo foi rescindido. Em 16 de dezembro de 2024, o clube anunciou a Bet7k como nova patrocinadora máster, por três temporadas e mais que o dobro do valor anterior. A Betsat não apareceu entre as empresas autorizadas a operar no novo mercado federal e também não consta na lista atual do Ministério da Fazenda.
A troca na camisa do Vitória tornou visível uma mudança que acontecia em todo o setor: clubes passaram a buscar empresas que, além de pagar os contratos, pudessem comprovar autorização para anunciar e operar legalmente.
Betway, Dafabet, Parimatch e outras marcas deixaram o Brasil, foram absorvidas por concorrentes ou não conseguiram avançar no novo mercado federal.
Durante anos, entrar no mercado brasileiro de apostas exigia pouco mais do que um site em português, meios de pagamento locais e investimento em publicidade.
A regulação mudou essa conta.
Desde janeiro de 2025, uma empresa precisa pagar R$ 30 milhões por uma autorização federal válida por cinco anos, manter sede e administração no Brasil, ter um sócio brasileiro com pelo menos 20% do capital social, certificar seus sistemas e cumprir regras de identificação, pagamentos, publicidade e jogo responsável.
Cada outorga cobre até três marcas. Para quem pretendia operar apenas uma plataforma ou ainda não tinha escala no país, o custo passou a ser difícil de justificar. Para grupos estrangeiros sem parceiro local, a exigência societária pesou tanto quanto o valor da outorga.
O resultado foi uma seleção que começou antes mesmo da abertura oficial do mercado regulado. Marcas internacionais desistiram da licença, operações menores fecharam e grupos com vários sites concentraram seus clientes em uma única plataforma.
Hoje, a lista federal reúne 188 marcas legais, distribuídas entre 82 empresas e 85 autorizações — são 185 domínios .bet.br ativos e três marcas ainda com domínio a definir. Em 2025, primeiro ano do mercado regulado, eram 79 empresas e 183 marcas. O total mal se mexeu. O que mudou foi quem está nele.
Levantamento do Aposta Legal, com base em comunicados das empresas, notícias da época e na lista federal atualizada em 28 de julho de 2026, identificou dez marcas conhecidas que ficaram pelo caminho.
Nem todas quebraram. Algumas desistiram, outras foram vendidas e houve também quem pedisse autorização, mas não chegasse ao mercado definitivo.
As 10 marcas em uma tabela
Perguntas frequentes
Quantas bets estão autorizadas no Brasil hoje?
São 188 marcas legais, distribuídas entre 82 empresas e 85 autorizações federais, segundo a lista da Secretaria de Prêmios e Apostas atualizada em 28 de julho de 2026. Dessas, 185 já operam com domínio .bet.br e três ainda têm domínio a definir. Cada autorização permite operar até três marcas.
Quanto custa uma licença de apostas no Brasil?
R$ 30 milhões pela outorga federal, válida por cinco anos. Além disso, a empresa precisa ter sede e administração no país, sócio brasileiro com no mínimo 20% do capital social e sistemas certificados.
Como saber se uma bet é legalizada?
O domínio precisa terminar em .bet.br e a marca precisa constar da lista oficial da SPA/MF. Site com domínio .com ou .net não tem autorização para operar no Brasil.
As bets que saíram voltam a operar no Brasil?
Nada impede que uma marca peça autorização depois, desde que cumpra todos os requisitos e pague a outorga. Até agosto de 2026, nenhuma das dez marcas desta lista havia retornado ao mercado regulado.
1. Betway desistiu mesmo depois de entrar na fila
A Betway foi uma das saídas mais representativas da transição.
A marca, do grupo Super Group, chegou a aparecer entre as empresas habilitadas a funcionar durante o período de adequação, mas decidiu não seguir com o processo para obter a licença definitiva.
Em novembro de 2024, suspendeu depósitos e orientou os clientes a retirar os saldos. Os depósitos foram aceitos até 6 de novembro. No comunicado, a empresa informou que não daria continuidade à aquisição da autorização brasileira.
A decisão chamou atenção pelo tamanho internacional da empresa. A Betway era patrocinadora da camisa do West Ham desde 2015 e parceira global de apostas do Arsenal desde a temporada 2023/24, além de acumular acordos anteriores com clubes como Schalke 04 e Atlético de Madrid.
A marca, porém, concluiu que a nova estrutura não justificava sua permanência. Segundo o comunicado publicado na época, as atividades foram encerradas em 13 de novembro de 2024.
Foi o caso mais claro de uma empresa que chegou à porta do mercado regulado, mas preferiu não pagar para entrar.
2. Dafabet saiu e deixou o Guarani sem a marca
A Dafabet seguiu um caminho mais direto.
Entre 9 e 10 de outubro de 2024, a empresa anunciou que deixaria de atender apostadores no Brasil. A plataforma não apareceu na relação de bets autorizadas durante a transição, saiu do ar em 11 de outubro — junto com cerca de 2 mil sites irregulares — e liberou saques até o dia 15.
A saída teve reflexos fora do ambiente digital. A Dafabet era patrocinadora máster do Guarani e estampava sua marca na camisa do clube na Série B. A parceria havia começado em julho daquele ano e durou pouco mais de três meses.
Com a proibição de publicidade para empresas não habilitadas, a presença da marca no futebol brasileiro também se tornou inviável. O encerramento foi anunciado em 9 de outubro, enquanto o governo iniciava o bloqueio das plataformas irregulares.
3. AmuletoBet fechou antes do prazo da licença
A AmuletoBet não esperou a abertura do mercado regulado.
A empresa comunicou em agosto de 2024 que encerraria suas operações no país a partir de 9 de setembro. O anúncio ocorreu poucos dias antes do primeiro prazo para os pedidos de autorização federal.
Os clientes foram orientados a sacar os valores depositados. A marca não apresentou um pedido dentro da janela inicial de licenciamento e ficou fora da fase de transição.
O caso mostra que a seleção não começou em janeiro de 2025. Quando as exigências e o valor da outorga se tornaram conhecidos, algumas plataformas já decidiram abandonar o país.
4. Arena Esportiva cancelou até contratos recém-assinados
A Arena Esportiva também encerrou a operação em 2024, e foi explícita quanto ao motivo: disse discordar das novas regras do governo federal.
A empresa havia contratado Davi Brito, vencedor do BBB 24, em um acordo divulgado como sendo de R$ 250 mil por mês. O contrato durou cerca de 45 dias. Pouco depois, a marca encerrou suas atividades no Brasil e cancelou os acordos comerciais.
A Arena Esportiva não avançou para o mercado federal e não aparece na lista atual da Secretaria de Prêmios e Apostas.
A velocidade da saída expôs um dos problemas do período anterior à regulação: algumas bets investiam de forma agressiva em influenciadores e visibilidade antes de consolidar uma estrutura capaz de atender às novas exigências.
5. Vera&John saiu, mas não virou a atual Vera
A Vera&John, operada pela Dumarca Gaming Limited, encerrou o atendimento a clientes brasileiros em 26 de julho de 2024.
A plataforma interrompeu apostas e depósitos, mantendo temporariamente o acesso para que os usuários retirassem os saldos. O prazo informado para os saques terminava em 23 de agosto daquele ano.
A saída aconteceu antes da primeira lista de empresas aptas ao período de transição.
O nome pode gerar confusão com a Vera, atualmente autorizada no domínio vera.bet.br. As duas marcas não são a mesma operação.
A atual Vera pertence à Ana Gaming, grupo que também controla 7K e Cassino — os três domínios aparecem sob o mesmo CNPJ na lista federal. A antiga Vera&John era uma marca internacional de outro grupo empresarial e deixou o país antes da abertura do mercado regulado.
6. Parimatch vendeu a operação para a VBet
A Parimatch não desapareceu por falta de reconhecimento. A empresa tinha uma das maiores vitrines do futebol brasileiro: o patrocínio máster do Botafogo, contratado em janeiro de 2023.
Ainda assim, o grupo Growe, que controla a marca globalmente, anunciou em 10 de dezembro de 2024 a venda da operação brasileira para a VBet. Em fevereiro de 2025, a antiga marca encerrou também os demais contratos de patrocínio mantidos no Brasil.
O contrato com o Botafogo venceu no fim de 2024, e a VBet fechou um acordo novo, anunciado em 6 de janeiro de 2025: R$ 55 milhões por ano, por três temporadas. A Parimatch pagava R$ 27,5 milhões por ano.
A saída da Parimatch representa uma forma diferente de consolidação. A operação e parte dos ativos continuaram, mas sob outra bandeira — e por um preço maior. A regulação não esfriou o mercado publicitário do futebol; redistribuiu quem podia pagar por ele.
Na lista atual do Ministério da Fazenda, a VBet aparece entre as marcas da SC Operating Brazil. A Parimatch não aparece.
7. Pagbet foi absorvida pela Betnacional
A Pagbet não saiu por causa de um bloqueio nem por desistência completa do grupo controlador.
A marca foi descontinuada e sua base transferida para a Betnacional, plataforma mais conhecida do mesmo grupo NSX. O movimento não foi isolado: a Mr. Jack Bet, também da NSX, seguiu o mesmo caminho em meados de 2025.
Os usuários puderam migrar dados, credenciais e saldos, mantendo login e senha. A decisão concentrou os investimentos em uma marca com maior presença nacional e mais força comercial no futebol.
A lógica está ligada ao desenho da regulação. Como cada licença de R$ 30 milhões permite operar até três marcas, manter diversas plataformas com estruturas e investimentos separados passou a exigir uma justificativa comercial mais clara.
Na licença atual do grupo NSX aparece apenas a Betnacional. A Pagbet deixou de existir como operação independente.
8. Betmotion pediu licença, mas não chegou à lista definitiva
O caso da Betmotion é um dos mais emblemáticos da transição.
Em agosto de 2024, a própria empresa anunciou que havia solicitado autorização federal. Em 1º de outubro, comemorou a inclusão na lista provisória de plataformas que poderiam continuar funcionando até o fim daquele ano — uma relação com 193 sites de 89 empresas.
A situação mudou na etapa definitiva. Das 89 empresas daquela lista provisória, o mercado regulado chegou a 2026 com 82.
A Betmotion não aparece na lista federal atualizada pelo Ministério da Fazenda. Em 2025, usuários passaram a relatar períodos com o site fora do ar e dificuldades de acesso. Em 2026, a plataforma já era apresentada como indisponível para jogadores localizados no Brasil.
Isso mostra que participar da fase de transição não garantia uma autorização. As empresas ainda precisavam apresentar documentos, certificados técnicos, comprovação financeira e efetuar o pagamento da outorga.
9. Bodog ficou fora do mercado federal
A Bodog era uma marca conhecida por apostadores brasileiros muito antes da Lei das Bets.
Apesar disso, não pediu autorização e foi bloqueada na leva de outubro de 2024, quando o governo derrubou os sites que estavam fora da lista provisória. Os apostadores tiveram até 10 de outubro para encerrar contas e retirar saldos.
Diferentemente de Betway e Dafabet, não houve um grande comunicado público detalhando uma retirada organizada.
O efeito prático, porém, foi semelhante para o usuário brasileiro: sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas e sem um domínio oficial terminado em "bet.br", a marca deixou de integrar o mercado nacional legalizado. Só no primeiro ano de mercado regulado, a SPA registrou mais de 25 mil sites ilegais bloqueados.
10. Betsat perdeu a camisa do Vitória e sumiu da lista
A Betsat chegou a ocupar um dos espaços mais valorizados da publicidade esportiva.
A marca foi patrocinadora máster do Vitória em 2024, temporada em que o clube retornou à Série A do Campeonato Brasileiro, em um contrato de R$ 7,2 milhões por ano.
Na virada para 2025, o acordo foi rescindido. Em 16 de dezembro de 2024, o clube anunciou a Bet7k como nova patrocinadora máster, por três temporadas e mais que o dobro do valor anterior. A Betsat não apareceu entre as empresas autorizadas a operar no novo mercado federal e também não consta na lista atual do Ministério da Fazenda.
A troca na camisa do Vitória tornou visível uma mudança que acontecia em todo o setor: clubes passaram a buscar empresas que, além de pagar os contratos, pudessem comprovar autorização para anunciar e operar legalmente.
Não foram dez falências — e essa é a história
A regulação não produziu um único tipo de saída.
Betway, Dafabet, AmuletoBet, Arena Esportiva e Vera&John encerraram suas operações durante a transição.
Parimatch e Pagbet foram absorvidas por marcas que permaneceram no mercado.
Betmotion chegou a solicitar autorização, mas não avançou até a lista definitiva. Bodog e Betsat, por sua vez, ficaram fora do mercado federal.
O principal filtro foi econômico e estrutural. Além dos R$ 30 milhões de outorga, as empresas passaram a arcar com certificação de sistemas, equipe local, sócio brasileiro no capital, controles contra lavagem de dinheiro, reconhecimento dos apostadores, armazenamento de dados e uma carga tributária inexistente no modelo anterior.
O mercado brasileiro continuou grande. O espaço para operar de forma improvisada, porém, ficou menor.
A regulação não eliminou as bets. Ela mudou quais empresas tinham dinheiro, estrutura e interesse para continuar no jogo.
Perguntas frequentes
Quantas bets estão autorizadas no Brasil hoje?
São 188 marcas legais, distribuídas entre 82 empresas e 85 autorizações federais, segundo a lista da Secretaria de Prêmios e Apostas atualizada em 28 de julho de 2026. Dessas, 185 já operam com domínio .bet.br e três ainda têm domínio a definir. Cada autorização permite operar até três marcas.
Quanto custa uma licença de apostas no Brasil?
R$ 30 milhões pela outorga federal, válida por cinco anos. Além disso, a empresa precisa ter sede e administração no país, sócio brasileiro com no mínimo 20% do capital social e sistemas certificados.
Como saber se uma bet é legalizada?
O domínio precisa terminar em .bet.br e a marca precisa constar da lista oficial da SPA/MF. Site com domínio .com ou .net não tem autorização para operar no Brasil.
As bets que saíram voltam a operar no Brasil?
Nada impede que uma marca peça autorização depois, desde que cumpra todos os requisitos e pague a outorga. Até agosto de 2026, nenhuma das dez marcas desta lista havia retornado ao mercado regulado.
Reportagem atualizada em 4 de agosto de 2026, com base na lista de empresas autorizadas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.







