Bets ilegais drenam R$ 14 bilhões da economia brasileira em 2025
O mercado de apostas clandestino no Brasil mostrou uma resiliência alarmante em 2025. Segundo levantamento exclusivo do Aposta Legal, disponível no Painel das bets do Brasil, os sites de apostas ilegais arrecadaram mais de R$ 14 bilhões, entre janeiro e dezembro deste ano.
Aposta Legal lançou o Painel das bets, uma ferramenta que permite acompanhar o mercado de apostas no Brasil com dados novos todos os meses. Confira
O montante impressiona não apenas pelo volume, mas pelo que ele representa quando comparado a setores tradicionais e datas cruciais para o varejo nacional.
Para se ter uma dimensão do "rombo", o valor arrecadado pela clandestinidade supera com folga o faturamento total do e-commerce brasileiro na Black Friday de 2025, que girou em torno de R$ 4 bilhões.
O montante também é superior a toda a receita anual prevista para a indústria de brinquedos no país (estimada em R$ 10,2 bilhões) e equivale a mais de três vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente para o ano anterior.
O mercado ilegal (R$ 14 bi) é mais de 3x maior que o orçamento do Ministério do Meio Ambiente.
Para realizar este levantamento, o Aposta Legal utilizou ferramentas avançadas de monitoramento de tráfego web cruzadas com dados de rentabilidade média do setor de apostas.
A metodologia aplica um cálculo proprietário que estima quanto um único acesso rende, em média, para uma operadora (yield por visita). A partir desse coeficiente, extrapolaram-se os dados de volume de tráfego das plataformas não-licenciadas para projetar a receita bruta estimada dessas casas, transformando cliques em valores financeiros de mercado.
Mercado legal contra ilegal
Ao analisar o comportamento dos usuários, fica claro que o mercado legalizado consolidou os "gigantes", enquanto a ilegalidade opera através de uma miríade de sites menores, difíceis de rastrear.
Os números mostram um abismo entre as operações:
- Média de acessos do Top 10 Legalizado (2025): 644 milhões de visitas;
- Maior site ilegal isolado (2025): 19,3 milhões de visitas (Bingo em Casa).
Nenhuma plataforma ilegal consegue, individualmente, chegar perto do volume de tráfego das grandes operadoras licenciadas.
A média de acessos das 10 maiores casas legais é 33 vezes superior ao tráfego do maior site clandestino identificado. Contudo, a "cauda longa" da ilegalidade — milhares de pequenos sites somados — continua a drenar recursos importantes da economia.
Cresce número de casas de apostas ilegais em 150%
O número de sites ilegais bloqueados pelo Ministério da Fazenda explodiu ao longo do ano: em janeiro, eram cerca de 10 mil endereços fora do ar; hoje, esse número já ultrapassa a marca de 25 mil.
Isso representa um crescimento de 150% em menos de um ano, ou seja, a lista de bloqueios mais que duplicou na tentativa de conter o avanço do mercado paralelo, indicando que esse tipo de site cresceu na mesma velocidade.
Ainda assim, o desafio persiste. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que representa cerca de 75% do mercado autorizado, estima que mais de 51% das apostas no âmbito virtual no Brasil ainda operem na clandestinidade.
O custo da Ilegalidade
Além da evasão de divisas e da falta de arrecadação tributária — dinheiro que deixaria de ir para "paraísos fiscais" para ser reinvestido em saúde, segurança e educação no Brasil —, o mercado ilegal expõe o usuário a riscos severos.
Sem a proteção do Código de Defesa do Consumidor ou das novas regras da Secretaria de Prêmios e Apostas, o apostador não tem garantia de recebimento de prêmios, proteção de dados pessoais ou ferramentas de jogo responsável para prevenir o vício.

Em sites ilegais, não há a quem recorrer em caso de problemas.
O que deixamos de ganhar com o mercado ilegal?
Se esse montante de R$ 13 bilhões fosse devidamente regulado e tributado pela alíquota padrão de 12% sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) prevista na legislação, os cofres públicos teriam arrecadado aproximadamente R$ 1,57 bilhão a mais em 2025, sem contar outras taxas e licenças.
Para colocar em perspectiva, esse valor perdido seria suficiente para cobrir mais de um terço de todo o orçamento anual do programa Farmácia Popular (previsto em R$ 4,2 bilhões) ou garantir o pagamento do Bolsa Família para cerca de 2,3 milhões de famílias durante um mês inteiro.
No setor habitacional, a quantia desperdiçada poderia subsidiar a construção de quase 10 mil novas unidades do programa Minha Casa, Minha Vida (considerando imóveis da Faixa 1), oferecendo teto para milhares de brasileiros.

Enquanto o governo e as entidades de classe tentam fechar o cerco, os números de 2025 servem como um alerta: a batalha contra o mercado paralelo é financeira, tecnológica e, acima de tudo, cultural.
Balanço do mercado de apostas no Brasil
Essas análises financeiras detalhadas estão disponíveis no Painel das Bets, a nova ferramenta estratégica de dados do Aposta Legal. O painel foi criado para dar visibilidade a esses contrastes de mercado, permitindo acompanhar mês a mês como o faturamento se distribui entre o ambiente regulado e o paralelo.
Com essa ferramenta, o Aposta Legal entrega transparência para quem precisa entender os reais fluxos financeiros que movimentam a indústria de iGaming no Brasil.







