Apostas para Presidente do Brasil 2026: análise do Polymarket
Em meio às eleições de 2026, ano em que o país elegerá o presidente da República, governadores, senadores e deputados, casas de apostas e mercados de previsão internacionais passaram a operar contratos sobre o resultado da disputa presidencial no Brasil.
As plataformas estão bloqueadas em território nacional, mas as cotações são acompanhadas em tempo real e funcionam como termômetro das chances de cada candidato.
Importante: as apostas em eleições no Brasil são proibidas pela regulamentação vigente, e os dados analisados neste artigo não são baseados em pesquisas eleitorais.
A seguir, veja como estão posicionados e quais as chances de vitória dos principais candidatos à Presidência do Brasil neste momento, segundo o Polymarket.
Os dados acima foram retirados de mercados de predição, bloqueados no Brasil, mas sediados e operando no exterior
Quem vai ser o presidente do Brasil em 2026, segundo as apostas no Polymarket?
No Polymarket, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa, com chance de vitória. O presidente aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vem em seguida, depois de perder força após o caso Vorcaro.
A diferença entre os dois nomes chama atenção porque o gráfico histórico mostra uma disputa mais apertada durante parte dos últimos meses, com o senador pelo Rio de Janeiro chegando, em maio, a estar a seis pontos percentuais a frente de Lula no banco de apostas.
O cenário das eleições no Brasil é incerto e seguirá mudando até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro chegou ao pico de 44,8% em 6 de maio, momento em que Lula aparecia com 38% e a disputa atingiu o maior grau de competitividade do ano.
Após o vazamento do áudio do caso Vorcaro, em 13 de maio, o senador desabou para 26,9% em 48 horas. Lula, por outro lado, voltou a abrir vantagem e segue como principal favorito segundo os usuários da plataforma, ainda que tenha recuado de 53% em janeiro para os atuais 42%.
Renan Santos (Missão) aparece com cerca de 15%, em trajetória de crescimento consistente ao longo do ano, enquanto o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) registra 5%, após oscilar entre 1% e 9,7% no período.
Ronaldo Caiado (PSD) surge com 3%. Mesmo anunciado pré-candidato pelo PSD, o governador de Goiás até o fim de maio concentrava menos apostas pela vitória do que nomes que não devem aparecer nas urnas para Presidência da República, como Michelle Bolsonaro (PL), Camilo Santana (PT) e Fernando Haddad (PT).
A lista oficial de candidatos ainda depende das convenções partidárias e do registro das candidaturas, por isso os nomes exibidos no mercado devem ser lidos como uma fotografia da percepção dos apostadores neste momento, não como confirmação de quem estará na urna.
Linha do tempo da disputa presidencial no Polymarket
- 1 de junho de 2026 | Lula segue na liderança do mercado, mas recua. Flávio Bolsonaro avança para 29% e reduz a distância para o presidente, enquanto Renan Santos chega a 15% e consolida seu melhor patamar na série, reforçando a leitura de que parte dos apostadores segue buscando uma alternativa competitiva à direita. Romeu Zema perde espaço e cai para 3%, mesmo nível de Ronaldo Caiado, enquanto Michelle Bolsonaro recua para 1%.
- 25 de maio de 2026 | Lula recua para 42% e Flávio sobe para 28%, em sinal de que o senador começa a recuperar terreno duas semanas após o caso Vorcaro. Renan Santos consolida 14% e segue como terceiro nome da disputa, em movimento atribuído à busca de apostadores por alternativas na direita que não dependam da família Bolsonaro.
- 13 a 15 de maio de 2026 | The Intercept Brasil divulga áudio em que Flávio Bolsonaro cobra R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse". Em 48 horas, a cotação do senador no Polymarket cai de 44,8% para 26,9%. Renan Santos sobe no mesmo intervalo, passando de 5,9% para 9,3%.
- 4 de maio de 2026 | Entra em vigor a resolução do Conselho Monetário Nacional que proíbe a operação de mercados preditivos de eventos não financeiros no Brasil. Polymarket e Kalshi passam a ter acesso bloqueado em território nacional.
- Fevereiro a abril de 2026 | Flávio Bolsonaro entra em trajetória de ascensão consistente após apresentar uma plataforma econômica e consolidar apoio do PL. A cotação sai de cerca de 18% no início de fevereiro e chega a 45% no início de maio.
É possível apostar em quem vai ser presidente do Brasil em 2026?
Não a partir do Brasil. As casas de aposta para presidente e os mercados de previsão como o Polymarket estão bloqueados em território nacional desde maio de 2026, por força de resolução que vedou a operação de contratos sobre eventos não financeiros.
Plataformas estrangeiras como Polymarket e Kalshi seguem operando no exterior, mas o acesso de usuários brasileiros está formalmente proibido.
As bets reguladas pelo Ministério da Fazenda, que operam dentro do país, também não podem ofertar apostas presidente Brasil 2026, já que a legislação restringe o mercado regulado às apostas de quota fixa em eventos esportivos e jogos de cassino online.
Quem deve se candidatar à Presidência em 2026?
O quadro de pré-candidaturas para a eleição presidencial de 2026 ainda está em formação, e parte da volatilidade observada no Polymarket vem justamente da indefinição sobre quem efetivamente registrará candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral.
Os nomes mais cotados na plataforma e com pré-candidatura declarada ou tratada como provável pelos analistas políticos são:
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como nome natural à reeleição. A pré-candidatura é tratada como certa pelo PT e pela base aliada, embora o presidente ainda não tenha formalizado o anúncio.
- Flávio Bolsonaro (PL) foi consolidado como herdeiro político de Jair Bolsonaro, hoje inelegível e cumprindo pena de 27 anos. A pré-candidatura é defendida por parte do PL, mas enfrenta resistências internas e ganhou novo foco de instabilidade após o caso Vorcaro.
- Renan Santos (Missão) é cofundador do MBL e se lançou em pré-candidatura pelo recém-criado partido Missão, em estratégia de ocupar espaço de direita liberal sem dependência da família Bolsonaro.
- Romeu Zema (Novo) trabalha a pré-candidatura desde o fim do segundo mandato no governo de Minas Gerais e se apresenta como direita sem escândalos, posicionamento que ganhou tração após o caso Vorcaro.
- Ronaldo Caiado (PSD) mantém a articulação para sair candidato, embora a movimentação esteja relativamente discreta no momento.
Quem deve dominar o Senado em 2026 segundo o Polymarket?
O Polymarket também opera um mercado preditivo sobre a composição partidária do Senado a partir de 2027, com volume de cerca de US$ 254 mil em contratos negociados.
A projeção atual é de ampla vantagem para o PL, que aparece com 76% de probabilidade implícita de conquistar a maior bancada da Casa nas eleições de 2026.
A diferença para o segundo colocado é expressiva. União Brasil aparece com 4,9%, PT com 2,9%, Republicanos com 2,8%, PSB com 4%, e PSD, MDB e Podemos com 2% cada. O Novo marca 1%.
O número do PL chama atenção porque convive com o desgaste recente da família Bolsonaro no caso Vorcaro sem refletir queda imediata. Há duas leituras possíveis.
A primeira é que o mercado precifica a capilaridade regional do partido, hoje a maior bancada da Câmara, como suficiente para sustentar a liderança no Senado independentemente do desempenho presidencial.
A segunda é que o volume reduzido do mercado (cerca de 300 vezes menor que o presidencial) deixa o preço mais sensível a poucos apostadores grandes, com menor capacidade de absorção de novas informações.
O contraste entre os dois mercados é didático sobre como ler mercados preditivos: cotações em volumes baixos têm menor poder informativo do que em volumes altos.
Mercados preditivos não são pesquisas de intenção de voto. As variações de cotação refletem o comportamento de quem compra e vende contratos na plataforma, não a preferência declarada do eleitor brasileiro.
O que é o Polymarket e por que ele está bloqueado no Brasil?
O Polymarket é uma plataforma internacional de mercados preditivos, sediada nos Estados Unidos e baseada em criptomoedas.
Usuários compram contratos atrelados a eventos do mundo real, como eleições, decisões judiciais, indicadores econômicos e competições esportivas, e o preço do contrato funciona como uma estimativa coletiva de probabilidade.
Se o evento se confirmar, o contrato é liquidado em US$ 1; se não, em zero.
No Brasil, esse tipo de operação está proibido. Em 24 de abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução, publicada pelo Banco Central, que veda a oferta e a negociação em território nacional de contratos de previsão vinculados a eventos não financeiros.
A norma entrou em vigor em 4 de maio de 2026 e atinge plataformas internacionais como Polymarket e Kalshi, além de outras 25 empresas do setor.
Juntas, as plataformas de predição somavam mais de 2 milhões de acessos trimestrais no Brasil.
É importante diferenciar dois universos regulatórios que costumam ser confundidos.
O mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil, autorizado pela Lei 14.790/2023 e regulamentado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, opera com licenças nacionais, alíquotas tributárias específicas e mecanismos de proteção ao apostador.
Os mercados preditivos sobre eventos eleitorais, por outro lado, não se enquadram nessa regulamentação e seguem expressamente vedados.
A presença do Polymarket no debate público brasileiro, portanto, é jornalística e analítica, não operacional. Não é possível, nem legalmente permitido, apostar em eleições brasileiras a partir do Brasil.
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