Brasil lidera uso do celular em apostas na América Latina

Atualizado: 30 Abr 2026
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Lucas Arraz

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O Brasil é o mercado mais dependente do celular para acesso a casas de apostas entre os países analisados pelo Aposta Legal na América Latina.

Dados de tráfego digital do primeiro trimestre de 2026, apurados pelo Painel das Bets, mostram que 98,64% dos acessos a casas de apostas no Brasil foram feitos por dispositivos móveis.

Na prática, o computador praticamente desaparece da jornada do apostador brasileiro. O desktop respondeu por apenas 1,36% dos acessos no período.

Em números absolutos, a diferença é ainda mais expressiva. Dos 6,28 bilhões de acessos registrados entre janeiro e março, cerca de 6,19 bilhões vieram de celulares.

O desktop, por sua vez, respondeu por aproximadamente 85,4 milhões de visitas. Embora esse volume isolado seja alto em comparação com outros países, ele representa uma fatia residual dentro do tamanho do mercado brasileiro.

Brasil tem o perfil mais mobile-first da região

A taxa brasileira de acesso mobile supera com folga os demais mercados analisados.

No Peru, 85% dos acessos a casas de apostas ocorreram via celular. No Chile, a participação mobile foi de 81%. No Equador, ficou em 72%.

Isso significa que o Brasil não é apenas um mercado mobile-first. Ele se aproxima de um modelo mobile-only, em que praticamente toda a relação do usuário com as plataformas de apostas acontece pelo celular.

A diferença em relação ao desktop é especialmente relevante. Enquanto o computador representa 19% dos acessos no Chile, 15% no Peru e 28% no Equador, no Brasil essa participação cai para apenas 1,36%.

Em termos proporcionais, o peso do desktop no Chile é quase 14 vezes maior que no Brasil. No Equador, é mais de 20 vezes maior.

Apostas online no Brasil nasceram no celular

O comportamento brasileiro reflete a forma como o mercado de apostas online se consolidou no país.

Diferentemente de mercados em que o desktop ainda mantém relevância em parte da jornada digital, no Brasil a expansão das bets aconteceu de maneira fortemente associada ao celular, às redes sociais, aos aplicativos, aos sites responsivos e às transmissões esportivas consumidas em tempo real.

O celular virou a principal porta de entrada para cadastro, depósito, consulta de odds, apostas ao vivo e saque.

Esse padrão também ajuda a explicar por que o mercado brasileiro opera em uma lógica de alto volume e alta frequência. Com o usuário conectado o tempo todo, a aposta deixa de depender de um momento específico diante do computador e passa a acompanhar a rotina digital do consumidor.

Brasi tem maior mercado em acessos

O Brasil também se diferencia pela escala.

No primeiro trimestre de 2026, o país somou 6,28 bilhões de acessos a casas de apostas, volume muito superior ao observado nos demais mercados analisados.

O Peru registrou 253 milhões de acessos no período. O Chile, 72,38 milhões. O Equador, 15,28 milhões.

Ou seja, o Brasil combina dois fatores ao mesmo tempo: é o maior mercado em volume absoluto e também o mais concentrado no celular.

Para as operadoras, o recado é direto. No Brasil, a experiência mobile não é apenas uma prioridade de produto. Ela é praticamente o mercado inteiro.

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