Investigadas por tráfico humano, bets Afun e 6z movimentaram R$ 629 mi
As casas de apostas Afun e 6z, alvos de uma operação da Polícia Federal contra tráfico internacional de pessoas e trabalho escravo deflagrada em dezembro, operavam como gigantes do setor no Brasil.
Um levantamento exclusivo do Aposta Legal revela que, sob a regularidade expedida pelo Governo Federal, as empresas podem ter movimentado mais de R$ 629 milhões apenas no segundo semestre de 2025.
As investigações, que resultaram no bloqueio de R$ 446 milhões da organização, focaram na operadora Brilliant Gaming LTDA. A empresa detinha a licença federal nº 0052/2024, figurando entre as 60 primeiras companhias autorizadas pelo governo a atuar no mercado regulado de apostas no Brasil.

Faturamento milionário e Top 20 no Brasil
Os dados obtidos pelo Aposta Legal expõem a magnitude do negócio. A marca Afun encerrou o ano de 2025 consolidada entre as 20 bets mais acessadas do país.
O auge de sua popularidade ocorreu em outubro, quando a plataforma figurou no top 10 das casas de apostas mais acessadas do Brasil, alcançando a 6ª colocação com mais de 120 milhões de acessos somente naquele mês. No total, entre junho e novembro, o site concentrou 444,4 milhões de acessos, com uma receita estimada de R$ 568,8 milhões.
A outra marca do grupo, a 6z, registrou 47 milhões de acessos no mesmo período semestral, com uma receita estimada de R$ 61,2 milhões. A bet figurava entre as 50 bets mais acessadas do país em novembro.
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O que dizem as investigadas?
Atualmente, os endereços afun.bet.br e 6z.bet.br encontram-se fora do ar. Contudo, ao acessar a Ai Bet (ai.bet.br), outra marca operada pela Brilliant Gaming, um comunicado oficial confirma o bloqueio judicial.
Na nota, a empresa cita a "Operação Dark Bet" e nega as acusações:
"A Brilliant Gaming informa que o acesso a determinadas plataformas operadas pela empresa [...] encontra-se temporariamente indisponível. A indisponibilidade decorre de uma medida judicial. [...] No presente momento, não há qualquer evidência concreta que indique o envolvimento da empresa nos fatos noticiados em conexão com a denominada Operação Dark Bet", declarou a empresa investigada em nota.
O suposto esquema de tráfico humano
Por trás dos números bilionários, a Polícia Federal descreve um cenário cruel. A investigação aponta que brasileiros eram recrutados pelas redes sociais com promessas de altos salários para trabalhar nessas empresas de apostas no exterior.
Segundo a PF, ao chegarem ao destino, as vítimas tinham seus passaportes retidos, eram vigiadas por homens armados e forçadas a praticar golpes digitais e crimes cibernéticos em jornadas exaustivas, caracterizando condição análoga à de escravo.








