Augusto Cury dispara nas casas de apostas
Apostar em eleições é proibido no Brasil.
Esse é um conteúdo informativo. Os números são um balanço do mercado de apostas internacional, não pesquisa eleitoral.
Na leitura mais recente da base, coletada em 2 de setembro, Cury aparecia com 2,35% de chance, contra 0,25% de Ronaldo Caiado (PSD) e 0,15% de Romeu Zema (Novo). Ou seja, um candidato com sete dias de mercado vale, para quem aposta dinheiro real, aproximadamente dez vezes mais do que dois ex-governadores que passaram meses sendo tratados como as apostas naturais da terceira via de direita.
Augusto Cury (Avante) não existia para os apostadores internacionais até a última quinta-feira de agosto. No dia 27 de agosto, no entanto, o escritor e psiquiatra apareceu pela primeira vez no mercado da eleição presidencial brasileira da Polymarket, cotado a apenas 1,05% de chance de vencer o pleito de outubro.
Vinte e quatro horas depois, no dia 28, sua cotação havia triplicado, para 3,40%, o maior patamar registrado até agora.
Nenhum outro candidato triplicou a própria cotação no primeiro dia completo de negociação desde que o Aposta Legal começou a acompanhar a série histórica, em setembro de 2025.
A disputa mais equilibrada é com Renan Santos (Missão). Desde a estreia de Cury, os dois trocam de posição praticamente todo dia. Cury esteve à frente em 28, 29 e 30 de agosto e novamente em 1º de setembro; Renan retomou a dianteira em 31 de agosto e em 2 de setembro, quando marcava 2,55% contra 2,35% do escritor.
O que a série mostra com clareza não é uma ultrapassagem definitiva, e sim uma troca de guarda: o coordenador do MBL chegou a valer 17,35% em 9 de junho, o pico de qualquer terceiro colocado nesse mercado, e desde então derreteu para a casa dos 2%.
O espaço que ele abandonou foi ocupado, em uma única semana, por um nome que não estava no radar de ninguém.
Por que Augusto Cury está crescendo na bolsa de apostas?
A explicação do fenômeno tem data e hora. Em 23 de agosto, o consórcio liderado pelo Grupo Bandeirantes realizou o primeiro debate presidencial do ciclo.
- Lula não compareceu, alegando desequilíbrio na composição dos participantes;
- Flávio Bolsonaro desistiu depois da ausência do presidente;
- Zema anunciou na tarde do mesmo domingo que também não iria.
Por que o mercado ainda desconfia?
A distância entre 11% de intenção de voto e 2,35% de chance de vitória é a parte mais interessante da história.
Ela indica que o mercado leu o crescimento de Cury como um fenômeno de atenção, não como uma candidatura consolidada, e há dados que sustentam essa leitura.
O principal deles é a firmeza do voto. Na BTG/Nexus, 85% dos eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro se dizem decididos, contra apenas 59% dos eleitores de Cury.
Lula x Flávio Bolsonaro: como está a disputa?
Enquanto o terceiro lugar se reorganiza, a briga principal mudou de temperatura. Lula continua favorito, mas em queda consistente: saiu de 66,5% de chance em 2 de agosto, o pico de toda a série, para 55,5% em 2 de setembro, uma perda de nove pontos em trinta dias e de sete pontos apenas na última semana.
Flávio Bolsonaro fez o caminho inverso, de 24,35% no começo de agosto para 39,25% no início de setembro, quase quinze pontos de alta no mês. A diferença entre os dois, que chegou a 42 pontos no início de agosto, está agora em pouco mais de 16.
No Legislativo, o cenário é menos disputado. O PL aparece com 89,5% de chance de formar a maior bancada do Senado e 57,5% na Câmara, contra 39,65% da federação UPB.
Como funciona o Polymarket e por que costuma acertar?
O Polymarket não é uma casa de apostas esportivas nem um instituto de pesquisa. É um mercado de previsão, onde cada resultado possível vira um contrato de sim ou não que custa entre 1 e 99 centavos de dólar.
Quem compra um contrato de "Augusto Cury vence a eleição" a 2 centavos recebe 1 dólar se ele ganhar e perde tudo se ele não ganhar. O preço, portanto, é a própria probabilidade: 2 centavos equivalem a 2% de chance.
Como qualquer participante pode comprar e vender a qualquer momento, o preço se ajusta em tempo real a cada pesquisa divulgada, cada debate e cada decisão judicial. É por isso que a cotação de Cury se moveu no dia 27 de agosto, dias antes de os institutos publicarem o que já estava acontecendo.
Quem quiser entender o mecanismo em detalhe pode consultar o guia do Aposta Legal sobre a Polymarket e a explicação de o que é a Polymarket e como ela funciona.
Vale registrar de saída que nada disso está disponível para quem mora no Brasil. Apostar em eleições é crime eleitoral desde a resolução aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em setembro de 2024, como o Aposta Legal noticiou à época, e as próprias plataformas de mercado preditivo foram tiradas do ar no país em abril de 2026, quando o Ministério da Fazenda determinou e a Anatel executou o bloqueio de 27 plataformas, entre elas a Polymarket e a Kalshi. As cotações citadas aqui são lidas de fora, como indicador jornalístico, e não como convite a apostar.
A diferença essencial em relação a uma pesquisa está no que se mede. O instituto pergunta em quem a pessoa pretende votar e depende de ela responder com sinceridade e de fato comparecer.
O mercado pergunta, na prática, quanto dinheiro alguém está disposto a arriscar naquela hipótese. Quem aposta por simpatia ideológica perde dinheiro e sai do mercado; quem lê o cenário com frieza ganha e passa a ter mais peso na formação do preço. Esse filtro faz do mercado um termômetro incômodo, porque ele precifica probabilidade de vitória, e não popularidade.
O Chile é o caso mais eloquente do período recente. Quatro dias antes do segundo turno de 14 de dezembro de 2025, o Apuesta Legal Chile monitorou as linhas oferecidas pelas casas internacionais para o percentual final de José Antonio Kast e encontrou uma média em torno de 58% dos votos válidos, com uma casa em 57,5%, outra em 58,5% e uma terceira cravando 58% para Kast e 42% para Jeannette Jara.
O resultado oficial, com 99,33% das mesas apuradas, deu 58,18% a Kast e 41,82% a Jara. O mercado errou por 0,18 ponto percentual na média e por no máximo 0,68 ponto na pior das três linhas, uma precisão que nenhuma pesquisa daquela eleição alcançou.






