+18 Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento.

Brasileiros apostaram R$ 133 bi durante a Copa 2026

Atualizado: 15 Ago 2026
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Lucas Arraz

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Os brasileiros podem ter apostado cerca de R$ 133 bilhões nas plataformas legalizadas durante os dois meses da Copa do Mundo de 2026.

A estimativa é do Aposta Legal para o Painel da Copa e considera junho e julho, período que concentrou o torneio inteiro, da abertura da fase de grupos em 11 de junho à final em 19 de julho.

O valor equivale a R$ 2,19 bilhões apostados por dia, todos os dias, ao longo de dois meses. E é 17,1% maior que o volume estimado para junho e julho de 2025, quando o mercado regulado movimentou algo perto de R$ 113,9 bilhões.

Junho, mês da fase de grupos, respondeu pela maior fatia: R$ 73,2 bilhões. Julho, com todo o mata-mata, ficou em R$ 60,2 bilhões.

Quantos as bets pagaram em prêmios?

Dos R$ 133,4 bilhões que passaram pelas plataformas, cerca de R$ 125,3 bilhões podem ter voltado aos jogadores em forma de prêmio.

O que ficou com as casas foram R$ 8,08 bilhões, a chamada receita bruta de jogo, ou GGR na sigla em inglês.

É esse valor, e não o volume apostado, que representa o faturamento efetivo do setor e serve de base para a tributação.

A proporção vem dos dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

No primeiro semestre de 2025, os brasileiros apostaram R$ 287,4 bilhões nas plataformas legais e receberam de volta R$ 270 bilhões, ou 93,95% do total. Sobraram R$ 17,4 bilhões para as operadoras.

Se Liga!

Esse volume gigantesco tem uma explicação simples: o mesmo dinheiro é apostado várias vezes. Quem deposita R$ 100 e joga o saldo dez vezes movimenta R$ 1 mil sem nunca ter tirado mil reais do bolso.

O prêmio recebido em um jogo vira aposta no jogo seguinte, e o giro se repete até que a margem da casa consuma o saldo.

Junho foi o melhor mês da história do mercado regulado

Os R$ 4,43 bilhões de receita que as casas legalizadas registraram em junho são o maior valor mensal desde que a regulamentação entrou em vigor, em janeiro de 2025.

Superam os R$ 3,68 bilhões de junho de 2025, até então o recorde, e ficam 61,9% acima de maio deste ano.

Julho veio logo atrás, com R$ 3,64 bilhões. Somados, os dois meses respondem por 37,6% de tudo o que o setor movimentou em 2026 até aqui.

Chama atenção que esse crescimento não veio de mais gente entrando nos sites. O tráfego web das casas legalizadas caiu 6,5% em junho na comparação com maio, e recuou outros 17,8% em julho.

O que cresceu foi o valor de cada visita: o apostador da Copa concentrou volume nas plataformas que já usava e apostou mais por sessão.

Parte do público também migrou para os aplicativos, que não entram na contagem de acessos a sites. Durante os jogos do Brasil na fase de grupos, os apps da Betano e da Bet365 foram os dois mais baixados do país entre todas as categorias.

Quanto cada apostador deixou nas casas?

O último dado oficial de público, referente ao primeiro trimestre de 2026, aponta 15,2 milhões de brasileiros apostando em plataformas reguladas.

Aplicada a essa base, a receita do bimestre da Copa equivale a uma perda líquida média de R$ 531 por apostador, ou cerca de R$ 266 por mês.

É bem acima do padrão. No primeiro semestre de 2025, o gasto médio mensal por apostador ficou em R$ 164, segundo a SPA.

O número da Copa é 62% maior, e vale lembrar que se trata de uma média: o comportamento real se distribui de forma bastante desigual entre quem aposta ocasionalmente e quem aposta com frequência.

O mercado ilegal movimentou junto

Todos os números acima se referem apenas às plataformas autorizadas. Fora delas, existe um mercado que o estudo Fora do Radar 2.0, da LCA Consultores para o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, estima entre 38% e 44% do setor de apostas no país.

Aplicada essa proporção ao volume legal da Copa, o total apostado pelos brasileiros nos dois meses do torneio, somando plataformas legais e clandestinas, ficaria entre R$ 215 bilhões e R$ 238 bilhões. A parcela que passou por sites sem autorização estaria entre R$ 82 bilhões e R$ 105 bilhões.

Esse dinheiro não gera arrecadação, não está sujeito a limites de aposta nem a ferramentas de jogo responsável, e não oferece garantia de pagamento de prêmio.

A pesquisa do Instituto Locomotiva que embasa o estudo mostra que metade dos apostadores brasileiros passou por alguma plataforma com características de mercado ilegal nos três meses anteriores ao levantamento.

O que o setor recolheu

Sobre os R$ 8,08 bilhões de receita das casas legalizadas incidem 13% em tributos e destinações legais, percentual fixado pela Lei Complementar 224/2025 e em vigor desde janeiro deste ano.

São cerca de R$ 1,05 bilhão gerados pelos dois meses de Copa, direcionados a saúde, esporte, segurança pública, educação, turismo e seguridade social.

A alíquota substituiu os 12% da Lei 14.790/2023 e sobe de novo em 2027, para 14%, e em 2028, para 15%. Chegou a existir uma tentativa de elevá-la a 18% pela Medida Provisória 1.303/2025, que perdeu validade em outubro do ano passado sem ser votada.