+18 Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento.

Copa impulsiona semestre das bets no Brasil: R$ 17,8 bi e recorde

Atualizado: 15 Ago 2026
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Lucas Arraz

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O primeiro semestre de 2026 terminou com a Copa do Mundo dentro dele, e isso impulsionou o mercado de apostas a um novo patamar no Brasil.

As casas legalizadas somaram R$ 17,83 bilhões de receita estimada no Brasil entre janeiro e junho, acima dos R$ 17,42 bilhões do mesmo período de 2025, e fecharam o semestre no melhor semestre e mês desde que a regulamentação entrou em vigor: junho, mês da fase de grupos, rendeu sozinho R$ 4,43 bilhões.

O tráfego também subiu. Os sites das 118 marcas monitoradas pelo Aposta Legal no Painel das Bets receberam 12,47 bilhões de visitas no semestre, 5,91% a mais que os 11,77 bilhões de um ano antes, com média mensal de 2,08 bilhões de acessos a sites de apostas no Brasil.

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A primeira metade de 2026 foi o segundo semestre consecutivo em que o setor cresce na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Quanto os brasileiros apostaram na Copa 2026?

Com a fase de grupos da Copa em Junho, as bets legais podem ter levantado em receita 61,9% acima do resultado de maio. Já Julho, com todo o mata-mata até a final do dia 19, veio logo atrás, com R$ 3,64 bilhões.

Somados, os dois meses do torneio movimentaram R$ 8,08 bilhões para as bets no Brasil, 17,1% a mais que junho e julho de 2025.

Você sabia?

Esse valor não é o total apostado, e sim o que sobra para as casas depois de pagar os prêmios, indicador que o mercado chama de GGR, a receita bruta de jogo

Na prática, com base nesses números, é possível estimar que os brasileiros podem ter apostado algo em torno de R$ 130 a 135 bilhões nesses dois meses do torneio.

A conta parte do GGR registrado no período e da proporção de pagamento de prêmios observada no primeiro semestre, quando, segundo o Ministério da Fazenda, 94% do total apostado voltou aos jogadores em forma de prêmios, deixando cerca de 6% como receita das casas.

Vale a ressalva de que prêmios podem ser apostados novamente e compor o resultado final.

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Dentro do mercado, o torneio traçou uma linha nítida entre quem vende futebol e quem vende cassino.

Aplicativos de bets crescem durante Copa

O público apostador também mudou de endereço neste primeiro semestre de 2026.

Durante os jogos do Brasil na fase de grupos, os aplicativos da Betano e da Bet365 foram os dois mais baixados do país, à frente de redes sociais, bancos e serviços de streaming, com cerca de 70 mil downloads em junho.

Sessões dentro de aplicativo não entram nas contagens de tráfego web, o que ajuda a explicar o descompasso entre receita e acessos. O tráfego web de junho, de 2 bilhões de acessos, ficou 6,5% abaixo de maio.

O que cresceu foi o valor de cada visita: o apostador da Copa concentrou volume nas casas que já conhecia, gastando mais sem navegar mais.

As dez maiores marcas de perfil esportivo cresceram 3,1% em acessos em junho. As dez maiores de perfil cassino caíram 21,7%.

A Betano, patrocinadora oficial da FIFA, ganhou 31,9 milhões de visitas no mês, o maior avanço do setor, e chegou em julho a 22,01% de concentração do mercado brasileiro, seu melhor patamar do ano.

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Poucos apostadores citariam a Brazino777 entre as grandes do país em meados de 2025. A marca ocupava a 33ª posição do ranking, com 88,9 milhões de acessos no semestre.

Um ano depois, acumula 770,1 milhões, multiplicou a audiência por quase nove e é a quarta maior casa do Brasil, com 6,18% do mercado.

Ela não subiu sozinha. A R7 cresceu 924,6% no mesmo intervalo.

A Bet da Sorte saiu de 4,5 milhões de acessos para 415,3 milhões. Somadas, as três ganharam 1,51 bilhão de visitas, mais do que o crescimento líquido do mercado inteiro no período, que foi de 695,6 milhões.

A conta fecha porque houve perdas do outro lado. A Betnacional viu 58,8% do seu tráfego desaparecer em um ano. A Estrelabet perdeu 56,8%, a Esportes da Sorte 42,3%, a Sportingbet 42,1%. No total, 62 marcas ganharam audiência e 51 perderam, um grau de rotatividade que os balanços agregados raramente deixam ver.

O rearranjo espalhou o mercado. As dez maiores casas, que concentravam 76,71% dos acessos no primeiro semestre de 2025, hoje ficam com 66,23%. O terço restante está repartido entre 102 marcas, e o número de casas com audiência registrada subiu de 99 para 112.

No topo, a Betano segue sozinha

Nada disso ameaçou a liderança. A Betano fechou o semestre com 2,63 bilhões de acessos e 21,10% do mercado.

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Perdeu participação em relação aos 23,23% de um ano antes, mas a distância para o segundo lugar aumentou: a Superbet, com 9,98%, recuou mais que a líder, e a Betano tem hoje 2,11 vezes o tráfego da vice, contra 1,86 vez em 2025.

Completam o top 5 a 7games.bet, com 7,50%, a Brazino777, com 6,18%, e a Bet365, com 5,34%. A Bet7k, quinta colocada um ano atrás, deixou o grupo. Juntas, as cinco maiores respondem por metade dos acessos do país.

A lista nacional de marcas autorizadas reúne hoje 188 registros, sendo 185 com domínio .bet.br e 3 com endereço a definir, distribuídos entre 82 operadoras com licença federal.

Mercado de bets não para de crescer no Brasil

Somado ao semestre anterior, o desempenho de janeiro a junho confirma uma trajetória de alta que já dura dois semestres seguidos na comparação anual.

O segundo semestre de 2025 havia crescido sobre o segundo de 2024, e agora o primeiro de 2026 supera o primeiro de 2025.

A sequência mais longa está na comparação mês a mês contra o ano anterior. Entre março de 2025 e abril de 2026, o tráfego das casas legalizadas cresceu por 14 meses consecutivos sempre que confrontado com o mesmo mês do ano passado.

A sequência se encerrou em maio, quando a base de comparação já era a de um mercado maduro, e não mais a de um setor recém-regulamentado.

É essa maturidade que explica a mudança de ritmo. O salto entre o primeiro e o segundo semestre de 2025 foi de 28,08% em acessos, número típico de um mercado em formação.

O avanço de 5,91% na comparação anual do primeiro semestre de 2026 é menor em percentual, mas parte de uma base quase três vezes maior.