Operação da PF mira bets acusadas de escravizar brasileiros

Atualizado: 6 Jan 2026
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Lucas Arraz

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Em dezembro, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra empresas do setor de apostas esportivas suspeitas de envolvimento em tráfico internacional de pessoas.

A investigação, realizada no dia 16 do mês passado, apontou que os sites — identificados pela TV Globo como 6z e Afun — estariam recrutando brasileiros para fins ilícitos.

O esquema funcionava como uma armadilha: as vítimas eram atraídas por falsas promessas de trabalho no exterior com remuneração alta. No entanto, ao saírem do país, eram obrigadas a trabalhar em condições análogas à escravidão.

Empresas tinham licença para operar

O caso chamou atenção pelo fato de as investigadas operarem, até então, dentro da legalidade exigida pelo governo federal brasileiro.

Ambas utilizavam o domínio oficial .bet.br e haviam pago mais de R$ 30 milhões em outorgas para atuar no mercado regulado brasileiro.

Até o momento desta publicação, os sites de ambas as plataformas permanecem fora do ar. A Justiça Federal determinou a suspensão das atividades e o bloqueio de bens que superam R$ 446 milhões.

Onde a operação aconteceu?

Os agentes cumpriram 4 mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em cinco estados:

  • Ceará
  • Maranhão
  • Paraná
  • Santa Catarina
  • São Paulo
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A ação dos criminosos

A investigação teve início após a prisão de um grupo na Nigéria, que incluía brasileiros acusados de crimes digitais. Segundo a PF, o esquema seguia um padrão cruel:

  1. Recrutamento: ofertas sedutoras de emprego em bets feitas via redes sociais;
  2. Cativeiro: ao chegar no exterior, as vítimas sofriam retenção de passaporte, restrição de liberdade e vigilância armada;
  3. Coerção: eram forçadas a praticar golpes digitais sob jornadas exaustivas e imposição de dívidas impagáveis.
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