As apostas on-line estão proibidas no Brasil

Desde 25 de setembro, uma medida provisória proibiu as apostas esportivas e os jogos on-line no país. A decisão traz mudanças para o mercado e para quem utiliza serviços de apostas no Brasil.

Entenda o que muda

Polymarket erra resultado da eleição presidencial no Brasil

Atualizado: 27 Out 2026
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Lucas Arraz

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Atenção!

Apostar em eleições é proibido no Brasil. Este é um conteúdo informativo: os números são um balanço do mercado internacional de previsão, não pesquisa eleitoral.

Apesar de acertar o resultado em diversos países como Chile e Peru, o Polymarket errou o resultado das eleições presidenciais do Brasil.

Na manhã do último domingo (25), horas antes do segundo turno das eleições presidenciais, o banco de apostas dava 77,0% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro (PL) e 16,5% a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

À noite, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o resultado oposto. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,2 milhões de votos, contra 48,21% de Flávio.

Os números são do painel de apostas nas eleições 2026 do Aposta Legal, que acompanhou diariamente as cotações da plataforma ao longo da corrida.

Quanto o Polymarket dava no dia da eleição?

No último registro antes da votação, o mercado tratava Flávio como favorito claro: de cada quatro dólares apostados no resultado, cerca de três estavam do lado do senador.

Lula aparecia com 16,5%, patamar de azarão. Dois dias antes, o petista chegou a 23,5%, mas a reação se desfez na véspera.

Você sabia?

Uma chance de 77% não significa 77% dos votos. Ela indica que, na leitura dos apostadores, Flávio venceria em cerca de três de cada quatro cenários. Ou seja, o favorito ainda perderia em um de cada quatro casos.

Como Flávio virou favorito nas apostas

Em meados de agosto, Lula liderava com folga: 63,5% de chance, contra 28,2% de Flávio.

A distância encolheu ao longo das semanas até que, em 11 de setembro, Flávio passou Lula nas apostas pela primeira vez desde maio, com 52,5% contra 45,5%.

O senador não perdeu mais a dianteira. O resultado do primeiro turno, em que ele terminou à frente por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, levou as cotações a outro patamar.

No dia seguinte, a chance de Flávio saltou para 83,5%. O pico veio em 10 de outubro, com 89,0%.

Data

Flávio Bolsonaro (PL)

Lula (PT)

13/08

28,2%

63,5%

11/09 (Flávio assume a liderança)

52,5%

45,5%

03/10 (véspera do 1º turno)

56,6%

43,5%

05/10 (dia seguinte ao 1º turno)

83,5%

15,5%

10/10 (pico de Flávio)

89,0%

11,5%

25/10 (manhã do 2º turno)

77,0%

16,5%

Resultado (TSE)

48,21% dos válidos

51,79% dos válidos (eleito)

13/08

Flávio Bolsonaro (PL)

28,2%

Lula (PT)

63,5%

11/09 (Flávio assume a liderança)

Flávio Bolsonaro (PL)

52,5%

Lula (PT)

45,5%

03/10 (véspera do 1º turno)

Flávio Bolsonaro (PL)

56,6%

Lula (PT)

43,5%

05/10 (dia seguinte ao 1º turno)

Flávio Bolsonaro (PL)

83,5%

Lula (PT)

15,5%

10/10 (pico de Flávio)

Flávio Bolsonaro (PL)

89,0%

Lula (PT)

11,5%

25/10 (manhã do 2º turno)

Flávio Bolsonaro (PL)

77,0%

Lula (PT)

16,5%

Resultado (TSE)

Flávio Bolsonaro (PL)

48,21% dos válidos

Lula (PT)

51,79% dos válidos (eleito)

Fonte: Polymarket, via painel do Aposta Legal; TSE. As chances vêm de contratos negociados separadamente, por isso a soma não fecha exatamente em 100%.

O que o mercado acertou no primeiro turno

No primeiro turno, o desempenho foi misto. No fechamento, às 16h de 4 de outubro, o Polymarket dava 94,8% de chance de haver segundo turno, o que se confirmou.

Já na margem de vitória, o mercado errou. A faixa favorita era vitória de Lula por menos de 5 pontos, com 57,0%. Quem venceu por menos de 5 pontos foi Flávio, cenário precificado em 26,9%.

Por que o Polymarket errou a eleição presidencial?

O erro chama atenção pela duração. O mercado manteve Flávio como favorito por mais de seis semanas seguidas e chegou ao dia da votação sem considerar seriamente uma virada.

A virada, porém, aconteceu: é a primeira vez desde a redemocratização que um candidato a presidente reverte no segundo turno a desvantagem do primeiro.

Na prática, os apostadores leram o primeiro turno como um sinal mais forte do que ele era. A diferença de 1,87 ponto entre os dois deixava a disputa aberta.

Há também um viés de origem. Como explica o guia do Aposta Legal sobre mercados preditivos, os preços refletem quem negocia na plataforma, e não o eleitorado.

No caso do Polymarket, esse público é restrito: a plataforma opera com criptomoedas e está bloqueada no Brasil, então boa parte dos participantes é estrangeira ou acessa o site por VPN.

Apostar em eleição é proibido no Brasil

O TSE aprovou em 2024 uma resolução que proíbe apostas sobre o resultado de eleições. Em abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional vetou mercados de previsão sobre eleições, política, esportes e entretenimento.

No mesmo mês, por determinação do Ministério da Fazenda, a Anatel começou o bloqueio do Polymarket e do Kalshi no Brasil, junto com outras plataformas do tipo.

Mesmo assim, o Polymarket seguiu operando a partir do exterior. O mercado da eleição presidencial passou de US$ 175 milhões em volume negociado, e o perfil brasileiro da empresa no Instagram foi derrubado em setembro a pedido da Fazenda.

Desde 25 de setembro, as apostas de quota fixa também estão proibidas no país. Entenda o que muda com a MP das bets.

Polymarket acertou 5 de 6 disputas para governador

Nos estados, o desempenho foi melhor. Segundo o painel de apostas para governador do Aposta Legal, coletado às 7h33 de domingo, o mercado apontou o vencedor em cinco dos seis segundos turnos.

Na maioria dos casos, o favorito tinha mais de 89% de chance e venceu com folga.

A exceção foi o Rio Grande do Norte. O mercado dava 65,5% a Allyson (União) e 34,5% a Cadu de Lula (PT), que virou o primeiro turno e venceu com 50,77%, por 32.625 votos.

No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) confirmou o favoritismo, mas sua chance caiu cerca de 8 pontos na véspera. Ele venceu com 52,17%.

Estado

Favorito na manhã de domingo

Chance

Eleito (TSE)

Votos válidos

Mercado

Acre

Mailza Assis (PP)

98,0%

Mailza Assis (PP)

66,21%

Acertou

Amazonas

Omar Aziz (PSD)

90,0%

Omar Aziz (PSD)

61,42%

Acertou

Distrito Federal

Celina Leão (PP)

99,1%

Celina Leão (PP)

57,18%

Acertou

Espírito Santo

Lorenzo Pazolini (Republicanos)

89,6%

Lorenzo Pazolini (Republicanos)

52,17%

Acertou

Rio Grande do Norte

Allyson (União)

65,5%

Cadu de Lula (PT)

50,77%

Errou

Tocantins

Vicentinho Júnior (PSDB)

92,5%

Vicentinho Júnior (PSDB)

64,52%

Acertou

Acre

Favorito na manhã de domingo

Mailza Assis (PP)

Chance

98,0%

Eleito (TSE)

Mailza Assis (PP)

Votos válidos

66,21%

Mercado

Acertou

Amazonas

Favorito na manhã de domingo

Omar Aziz (PSD)

Chance

90,0%

Eleito (TSE)

Omar Aziz (PSD)

Votos válidos

61,42%

Mercado

Acertou

Distrito Federal

Favorito na manhã de domingo

Celina Leão (PP)

Chance

99,1%

Eleito (TSE)

Celina Leão (PP)

Votos válidos

57,18%

Mercado

Acertou

Espírito Santo

Favorito na manhã de domingo

Lorenzo Pazolini (Republicanos)

Chance

89,6%

Eleito (TSE)

Lorenzo Pazolini (Republicanos)

Votos válidos

52,17%

Mercado

Acertou

Rio Grande do Norte

Favorito na manhã de domingo

Allyson (União)

Chance

65,5%

Eleito (TSE)

Cadu de Lula (PT)

Votos válidos

50,77%

Mercado

Errou

Tocantins

Favorito na manhã de domingo

Vicentinho Júnior (PSDB)

Chance

92,5%

Eleito (TSE)

Vicentinho Júnior (PSDB)

Votos válidos

64,52%

Mercado

Acertou

Fonte: Polymarket, via painel do Aposta Legal (coleta de 25/10, 7h33); TSE.

O Rio de Janeiro chegou a ter segundo turno previsto. A anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) levou Douglas Ruas (PL) a mais de 50% dos válidos, e ele foi eleito no primeiro turno.

Metodologia

As chances de vitória foram coletadas uma vez por dia pelos painéis do Aposta Legal, a partir da API pública do Polymarket.

O preço de um contrato varia de 0 a 1 dólar e é lido como a chance atribuída pelos apostadores: um contrato a 0,77 equivale a 77% de chance.

Na corrida presidencial, foi usado o último registro antes da votação, de 25 de outubro. Nos estados, a coleta das 7h33 do mesmo dia. Os resultados são do TSE, com 100% das urnas apuradas.