Polymarket erra resultado da eleição presidencial no Brasil
Apostar em eleições é proibido no Brasil. Este é um conteúdo informativo: os números são um balanço do mercado internacional de previsão, não pesquisa eleitoral.
Apesar de acertar o resultado em diversos países como Chile e Peru, o Polymarket errou o resultado das eleições presidenciais do Brasil.
Na manhã do último domingo (25), horas antes do segundo turno das eleições presidenciais, o banco de apostas dava 77,0% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro (PL) e 16,5% a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
À noite, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o resultado oposto. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,2 milhões de votos, contra 48,21% de Flávio.
Os números são do painel de apostas nas eleições 2026 do Aposta Legal, que acompanhou diariamente as cotações da plataforma ao longo da corrida.
Quanto o Polymarket dava no dia da eleição?
No último registro antes da votação, o mercado tratava Flávio como favorito claro: de cada quatro dólares apostados no resultado, cerca de três estavam do lado do senador.
Lula aparecia com 16,5%, patamar de azarão. Dois dias antes, o petista chegou a 23,5%, mas a reação se desfez na véspera.
Uma chance de 77% não significa 77% dos votos. Ela indica que, na leitura dos apostadores, Flávio venceria em cerca de três de cada quatro cenários. Ou seja, o favorito ainda perderia em um de cada quatro casos.
Como Flávio virou favorito nas apostas
Em meados de agosto, Lula liderava com folga: 63,5% de chance, contra 28,2% de Flávio.
A distância encolheu ao longo das semanas até que, em 11 de setembro, Flávio passou Lula nas apostas pela primeira vez desde maio, com 52,5% contra 45,5%.
O senador não perdeu mais a dianteira. O resultado do primeiro turno, em que ele terminou à frente por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, levou as cotações a outro patamar.
No dia seguinte, a chance de Flávio saltou para 83,5%. O pico veio em 10 de outubro, com 89,0%.
Data | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
13/08 | 28,2% | 63,5% |
11/09 (Flávio assume a liderança) | 52,5% | 45,5% |
03/10 (véspera do 1º turno) | 56,6% | 43,5% |
05/10 (dia seguinte ao 1º turno) | 83,5% | 15,5% |
10/10 (pico de Flávio) | 89,0% | 11,5% |
25/10 (manhã do 2º turno) | 77,0% | 16,5% |
Resultado (TSE) | 48,21% dos válidos | 51,79% dos válidos (eleito) |
13/08 | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 28,2% |
Lula (PT) | 63,5% |
11/09 (Flávio assume a liderança) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 52,5% |
Lula (PT) | 45,5% |
03/10 (véspera do 1º turno) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 56,6% |
Lula (PT) | 43,5% |
05/10 (dia seguinte ao 1º turno) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 83,5% |
Lula (PT) | 15,5% |
10/10 (pico de Flávio) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 89,0% |
Lula (PT) | 11,5% |
25/10 (manhã do 2º turno) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 77,0% |
Lula (PT) | 16,5% |
Resultado (TSE) | |
Flávio Bolsonaro (PL) | 48,21% dos válidos |
Lula (PT) | 51,79% dos válidos (eleito) |
Fonte: Polymarket, via painel do Aposta Legal; TSE. As chances vêm de contratos negociados separadamente, por isso a soma não fecha exatamente em 100%.
O que o mercado acertou no primeiro turno
No primeiro turno, o desempenho foi misto. No fechamento, às 16h de 4 de outubro, o Polymarket dava 94,8% de chance de haver segundo turno, o que se confirmou.
Já na margem de vitória, o mercado errou. A faixa favorita era vitória de Lula por menos de 5 pontos, com 57,0%. Quem venceu por menos de 5 pontos foi Flávio, cenário precificado em 26,9%.
Por que o Polymarket errou a eleição presidencial?
O erro chama atenção pela duração. O mercado manteve Flávio como favorito por mais de seis semanas seguidas e chegou ao dia da votação sem considerar seriamente uma virada.
A virada, porém, aconteceu: é a primeira vez desde a redemocratização que um candidato a presidente reverte no segundo turno a desvantagem do primeiro.
Na prática, os apostadores leram o primeiro turno como um sinal mais forte do que ele era. A diferença de 1,87 ponto entre os dois deixava a disputa aberta.
Há também um viés de origem. Como explica o guia do Aposta Legal sobre mercados preditivos, os preços refletem quem negocia na plataforma, e não o eleitorado.
No caso do Polymarket, esse público é restrito: a plataforma opera com criptomoedas e está bloqueada no Brasil, então boa parte dos participantes é estrangeira ou acessa o site por VPN.
Apostar em eleição é proibido no Brasil
O TSE aprovou em 2024 uma resolução que proíbe apostas sobre o resultado de eleições. Em abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional vetou mercados de previsão sobre eleições, política, esportes e entretenimento.
No mesmo mês, por determinação do Ministério da Fazenda, a Anatel começou o bloqueio do Polymarket e do Kalshi no Brasil, junto com outras plataformas do tipo.
Mesmo assim, o Polymarket seguiu operando a partir do exterior. O mercado da eleição presidencial passou de US$ 175 milhões em volume negociado, e o perfil brasileiro da empresa no Instagram foi derrubado em setembro a pedido da Fazenda.
Desde 25 de setembro, as apostas de quota fixa também estão proibidas no país. Entenda o que muda com a MP das bets.
Polymarket acertou 5 de 6 disputas para governador
Nos estados, o desempenho foi melhor. Segundo o painel de apostas para governador do Aposta Legal, coletado às 7h33 de domingo, o mercado apontou o vencedor em cinco dos seis segundos turnos.
Na maioria dos casos, o favorito tinha mais de 89% de chance e venceu com folga.
A exceção foi o Rio Grande do Norte. O mercado dava 65,5% a Allyson (União) e 34,5% a Cadu de Lula (PT), que virou o primeiro turno e venceu com 50,77%, por 32.625 votos.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) confirmou o favoritismo, mas sua chance caiu cerca de 8 pontos na véspera. Ele venceu com 52,17%.
Estado | Favorito na manhã de domingo | Chance | Eleito (TSE) | Votos válidos | Mercado |
|---|---|---|---|---|---|
Acre | Mailza Assis (PP) | 98,0% | Mailza Assis (PP) | 66,21% | Acertou |
Amazonas | Omar Aziz (PSD) | 90,0% | Omar Aziz (PSD) | 61,42% | Acertou |
Distrito Federal | Celina Leão (PP) | 99,1% | Celina Leão (PP) | 57,18% | Acertou |
Espírito Santo | Lorenzo Pazolini (Republicanos) | 89,6% | Lorenzo Pazolini (Republicanos) | 52,17% | Acertou |
Rio Grande do Norte | Allyson (União) | 65,5% | Cadu de Lula (PT) | 50,77% | Errou |
Tocantins | Vicentinho Júnior (PSDB) | 92,5% | Vicentinho Júnior (PSDB) | 64,52% | Acertou |
Acre | |
Favorito na manhã de domingo | Mailza Assis (PP) |
Chance | 98,0% |
Eleito (TSE) | Mailza Assis (PP) |
Votos válidos | 66,21% |
Mercado | Acertou |
Amazonas | |
Favorito na manhã de domingo | Omar Aziz (PSD) |
Chance | 90,0% |
Eleito (TSE) | Omar Aziz (PSD) |
Votos válidos | 61,42% |
Mercado | Acertou |
Distrito Federal | |
Favorito na manhã de domingo | Celina Leão (PP) |
Chance | 99,1% |
Eleito (TSE) | Celina Leão (PP) |
Votos válidos | 57,18% |
Mercado | Acertou |
Espírito Santo | |
Favorito na manhã de domingo | Lorenzo Pazolini (Republicanos) |
Chance | 89,6% |
Eleito (TSE) | Lorenzo Pazolini (Republicanos) |
Votos válidos | 52,17% |
Mercado | Acertou |
Rio Grande do Norte | |
Favorito na manhã de domingo | Allyson (União) |
Chance | 65,5% |
Eleito (TSE) | Cadu de Lula (PT) |
Votos válidos | 50,77% |
Mercado | Errou |
Tocantins | |
Favorito na manhã de domingo | Vicentinho Júnior (PSDB) |
Chance | 92,5% |
Eleito (TSE) | Vicentinho Júnior (PSDB) |
Votos válidos | 64,52% |
Mercado | Acertou |
Fonte: Polymarket, via painel do Aposta Legal (coleta de 25/10, 7h33); TSE.
O Rio de Janeiro chegou a ter segundo turno previsto. A anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) levou Douglas Ruas (PL) a mais de 50% dos válidos, e ele foi eleito no primeiro turno.
Metodologia
As chances de vitória foram coletadas uma vez por dia pelos painéis do Aposta Legal, a partir da API pública do Polymarket.
O preço de um contrato varia de 0 a 1 dólar e é lido como a chance atribuída pelos apostadores: um contrato a 0,77 equivale a 77% de chance.
Na corrida presidencial, foi usado o último registro antes da votação, de 25 de outubro. Nos estados, a coleta das 7h33 do mesmo dia. Os resultados são do TSE, com 100% das urnas apuradas.




