Lula precisa de uma virada inédita: as chances do presidente e de Flávio no 2º turno
Este é um conteúdo informativo! Apostas em eleições são proibidas no Brasil
Lula (PT) entra no segundo turno de 25 de outubro em uma posição que nunca ocupou desde 2002: atrás. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% do presidente, uma diferença de 2,25 milhões de votos.
Nas três vezes em que venceu, em 2002, 2006 e 2022, Lula chegou ao segundo turno como o mais votado. Desta vez, aos 80 anos e buscando o quarto mandato, ele precisa fazer algo que nenhum candidato fez desde a redemocratização: vencer a Presidência depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar.
Os apostadores não acreditam muito nessa virada. No Polymarket, mercado de previsão que já movimentou US$ 172,5 milhões com a eleição brasileira, Lula tem 16,5% de chance de vencer nesta segunda-feira (5). É cerca de uma chance em seis.
No começo de agosto, ele era o favorito, com 64,5%. Na tarde de domingo, antes da apuração, ainda tinha 37,5%.
Quantos votos Lula precisa para virar?
A conta é simples e dura. Para passar de 50% dos válidos, Lula precisa somar 4,86 pontos aos 45,14% que já tem. Flávio precisa de 2,95 pontos.
Os votos em disputa entre os eleitores que já foram às urnas são os 7,81% que escolheram outros candidatos, cerca de 9,3 milhões de pessoas. Lula teria de conquistar 62% desse grupo. Flávio, apenas 38%.
Candidato no 1º turno | Votos válidos | Leitura para o 2º turno |
|---|---|---|
Augusto Cury (Avante) | 2,89% | O maior bloco em jogo, com 3,4 milhões de votos e perfil mais ao centro |
Renan Santos (Missão) | 2,24% | 2,7 milhões de votos de um eleitorado antipetista |
Ronaldo Caiado (PSD) | 2,18% | Governador de Goiás até abril e opositor histórico do PT |
Zema (Novo) | 0,27% | Ex-governador de Minas, campo liberal |
Augusto Cury (Avante) | |
Votos válidos | 2,89% |
Leitura para o 2º turno | O maior bloco em jogo, com 3,4 milhões de votos e perfil mais ao centro |
Renan Santos (Missão) | |
Votos válidos | 2,24% |
Leitura para o 2º turno | 2,7 milhões de votos de um eleitorado antipetista |
Ronaldo Caiado (PSD) | |
Votos válidos | 2,18% |
Leitura para o 2º turno | Governador de Goiás até abril e opositor histórico do PT |
Zema (Novo) | |
Votos válidos | 0,27% |
Leitura para o 2º turno | Ex-governador de Minas, campo liberal |
Votos válidos | |
Leitura para o 2º turno |
O problema para Lula está na composição desse bloco. Renan Santos, Caiado e Zema somam 4,69% e disputaram o voto de oposição ao governo. Se esse eleitorado repetir a escolha anti-PT e for todo para Flávio, o senador chega a 51,74% sem precisar de nenhum voto de Cury.
Por isso a virada passa necessariamente por quem não votou. A abstenção foi de 21,08%, o equivalente a cerca de 33 milhões de eleitores, e brancos e nulos somaram 4,77% dos votos. É nesse grupo que está a maior reserva de votos do país, e trazer parte dele para as urnas é a aposta mais realista do PT.
As chaves para Lula vencer
A virada é improvável, mas não é impossível. Quatro fatores explicam por que o mercado ainda dá ao presidente uma chance em seis.
- A distância é a menor da história. São 1,91 ponto entre os dois primeiros colocados, a diferença mais estreita num primeiro turno presidencial desde 1989. Em 2022, Jair Bolsonaro saiu de 43,20% no primeiro turno para 49,10% no segundo, um ganho de quase 6 pontos. Se Lula repetir metade desse desempenho, a disputa vira empate.
- A rejeição está empatada. Na última Real Time Big Data antes do primeiro turno, Lula e Flávio tinham a mesma rejeição, de 49%. Na Atlas/Bloomberg de agosto, o senador tinha 52,7% e o presidente, 52%. Nenhum dos dois tem um teto claramente mais baixo que o outro.
- O eleitor de Augusto Cury. É o maior bloco de votos fora da polarização, com 3,4 milhões de pessoas. Lula não vira sem vencer com folga nesse grupo.
- A abstenção. Com 21,08% de eleitores ausentes, uma alta de comparecimento entre os grupos em que o PT é mais forte vale mais do que qualquer apoio partidário. A estratégia já apareceu no discurso de Lula na noite de domingo, centrado em mobilização.
O cientista político Bruno Bolognesi, da UFPR, resumiu ao Nexo o caminho que resta ao PT: "necessariamente, a coordenação eleitoral do Lula vai ter que fazer uma campanha de ataque ao Bolsonaro e ao Flávio para tentar roubar voto".
Há um alerta, porém. As pesquisas da reta final mostravam empate técnico no segundo turno, como o Datafolha de 24 de setembro, com Lula 47% e Flávio 45%. Essas mesmas pesquisas subestimaram Flávio no primeiro turno. O Datafolha tinha Lula 4 pontos à frente, e o senador terminou quase 2 pontos acima.
As chances de Flávio Bolsonaro
Flávio tem 83,5% de chance de ser o próximo presidente, segundo o Polymarket nesta segunda-feira (5). O número subiu 20 pontos em uma noite: às 16h de domingo era 63%, e às 18h, com as primeiras urnas apuradas, já tinha passado de 85%.
O senador já era o favorito dos apostadores antes de liderar qualquer pesquisa de primeiro turno. A virada no mercado aconteceu na primeira quinzena de setembro: em 1º de setembro, Lula tinha 55,5% e Flávio, 39,3%; no dia 15, Flávio já aparecia com 51,9%.
A leitura de quem apostava era que a soma dos votos de oposição no segundo turno favorecia o candidato do PL. O primeiro turno reforçou essa tese.
Três fatores sustentam o favoritismo:
- A matemática. Flávio precisa de 38% dos votos que foram para outros candidatos. Os eleitores de Renan Santos, Caiado e Zema, todos de oposição ao governo, já bastariam.
- A história. Em todas as sete eleições presidenciais com segundo turno desde 1989, o mais votado no primeiro turno venceu.
- O voto que as pesquisas não viram. Se parte do eleitorado de Flávio não declara o voto aos institutos, como sugere o resultado de domingo, o empate técnico das pesquisas de segundo turno pode esconder uma vantagem real do senador.
Uma chance de 83,5% não é certeza. Em linguagem de aposta, significa que, se a mesma eleição fosse disputada seis vezes, Lula venceria em uma. Na noite de domingo, o próprio mercado mostrou como pode errar: dava 69,5% de chance para Lula vencer o primeiro turno.
Algum candidato já virou um segundo turno para presidente?
Nunca. Em todas as sete eleições presidenciais decididas em segundo turno desde 1989, quem terminou o primeiro turno em primeiro lugar ficou com a faixa. Mas nenhuma delas começou tão empatada quanto a de 2026.
O histórico pessoal de Lula ajuda a medir o tamanho do desafio. Os 45,14% de domingo são a menor votação dele num primeiro turno desde 1998, quando teve 31,71% e perdeu para Fernando Henrique Cardoso sem nem chegar ao segundo turno. Nas três eleições que venceu, ele tinha entre 46,4% e 48,6% no primeiro turno e liderava a disputa.
O precedente mais próximo de uma virada é justamente o de 2022, só que com o sinal trocado. Bolsonaro, então presidente, chegou ao segundo turno 5,2 pontos atrás de Lula, cresceu quase 6 pontos e perdeu por 1,8 ponto. Agora é Lula quem disputa a reeleição em segundo lugar, com uma distância quase três vezes menor.
O que pode mudar até 25 de outubro
São três semanas de campanha, e o mercado vai reagir a cada uma delas. Estes são os pontos que podem mexer nas chances:
- Apoios dos derrotados. Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury somam 7,58% dos votos válidos. Um apoio explícito de Cury a Lula seria o único movimento partidário capaz de mudar a conta de forma relevante.
- As primeiras pesquisas de segundo turno. Os institutos erraram a distância do primeiro turno. A primeira rodada pós-apuração vai mostrar se eles corrigiram o modelo ou se o empate técnico continua.
- Debates e propaganda. Com uma diferença de 1,9 ponto, um erro em debate pesa mais do que em qualquer eleição recente.
- Comparecimento. Uma queda na abstenção de 21,08% favorece quem conseguir levar o próprio eleitor de volta às urnas.
O Aposta Legal explica como interpretar as chances dos mercados de previsão no hub de eleições.
Perguntas frequentes
Quem vai ganhar o segundo turno, Lula ou Flávio?
Segundo o Polymarket, Flávio Bolsonaro tem 83,5% de chance e Lula, 16,5%, em preços de segunda-feira (5). Preço de mercado não é pesquisa nem garantia de resultado.
Lula pode virar a eleição?
Pode, mas precisaria fazer algo inédito: nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar venceu a Presidência desde 1989. Lula precisa de 4,86 pontos a mais; Flávio, de 2,95.
Quando é o segundo turno de 2026?
Em 25 de outubro.
Qual foi o resultado do primeiro turno para presidente?
Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,05% dos votos válidos, Lula (PT) 45,14%, Augusto Cury (Avante) 2,89%, Renan Santos (Missão) 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) 2,18%. O comparecimento foi de 78,92%.




