As apostas on-line estão proibidas no Brasil

Desde 25 de setembro, uma medida provisória proibiu as apostas esportivas e os jogos on-line no país. A decisão traz mudanças para o mercado e para quem utiliza serviços de apostas no Brasil.

Entenda o que muda

Lula precisa de uma virada inédita: as chances do presidente e de Flávio no 2º turno

Atualizado: 6 Out 2026
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Lucas Arraz

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Este é um conteúdo informativo! Apostas em eleições são proibidas no Brasil

Lula (PT) entra no segundo turno de 25 de outubro em uma posição que nunca ocupou desde 2002: atrás. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% do presidente, uma diferença de 2,25 milhões de votos.

Nas três vezes em que venceu, em 2002, 2006 e 2022, Lula chegou ao segundo turno como o mais votado. Desta vez, aos 80 anos e buscando o quarto mandato, ele precisa fazer algo que nenhum candidato fez desde a redemocratização: vencer a Presidência depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar.

Os apostadores não acreditam muito nessa virada. No Polymarket, mercado de previsão que já movimentou US$ 172,5 milhões com a eleição brasileira, Lula tem 16,5% de chance de vencer nesta segunda-feira (5). É cerca de uma chance em seis.

No começo de agosto, ele era o favorito, com 64,5%. Na tarde de domingo, antes da apuração, ainda tinha 37,5%.

Quantos votos Lula precisa para virar?

A conta é simples e dura. Para passar de 50% dos válidos, Lula precisa somar 4,86 pontos aos 45,14% que já tem. Flávio precisa de 2,95 pontos.

Os votos em disputa entre os eleitores que já foram às urnas são os 7,81% que escolheram outros candidatos, cerca de 9,3 milhões de pessoas. Lula teria de conquistar 62% desse grupo. Flávio, apenas 38%.

Candidato no 1º turno

Votos válidos

Leitura para o 2º turno

Augusto Cury (Avante)

2,89%

O maior bloco em jogo, com 3,4 milhões de votos e perfil mais ao centro

Renan Santos (Missão)

2,24%

2,7 milhões de votos de um eleitorado antipetista

Ronaldo Caiado (PSD)

2,18%

Governador de Goiás até abril e opositor histórico do PT

Zema (Novo)

0,27%

Ex-governador de Minas, campo liberal

Augusto Cury (Avante)

Votos válidos

2,89%

Leitura para o 2º turno

O maior bloco em jogo, com 3,4 milhões de votos e perfil mais ao centro

Renan Santos (Missão)

Votos válidos

2,24%

Leitura para o 2º turno

2,7 milhões de votos de um eleitorado antipetista

Ronaldo Caiado (PSD)

Votos válidos

2,18%

Leitura para o 2º turno

Governador de Goiás até abril e opositor histórico do PT

Zema (Novo)

Votos válidos

0,27%

Leitura para o 2º turno

Ex-governador de Minas, campo liberal

Votos válidos

Leitura para o 2º turno

O problema para Lula está na composição desse bloco. Renan Santos, Caiado e Zema somam 4,69% e disputaram o voto de oposição ao governo. Se esse eleitorado repetir a escolha anti-PT e for todo para Flávio, o senador chega a 51,74% sem precisar de nenhum voto de Cury.

Por isso a virada passa necessariamente por quem não votou. A abstenção foi de 21,08%, o equivalente a cerca de 33 milhões de eleitores, e brancos e nulos somaram 4,77% dos votos. É nesse grupo que está a maior reserva de votos do país, e trazer parte dele para as urnas é a aposta mais realista do PT.

As chaves para Lula vencer

A virada é improvável, mas não é impossível. Quatro fatores explicam por que o mercado ainda dá ao presidente uma chance em seis.

  1. A distância é a menor da história. São 1,91 ponto entre os dois primeiros colocados, a diferença mais estreita num primeiro turno presidencial desde 1989. Em 2022, Jair Bolsonaro saiu de 43,20% no primeiro turno para 49,10% no segundo, um ganho de quase 6 pontos. Se Lula repetir metade desse desempenho, a disputa vira empate.
  2. A rejeição está empatada. Na última Real Time Big Data antes do primeiro turno, Lula e Flávio tinham a mesma rejeição, de 49%. Na Atlas/Bloomberg de agosto, o senador tinha 52,7% e o presidente, 52%. Nenhum dos dois tem um teto claramente mais baixo que o outro.
  3. O eleitor de Augusto Cury. É o maior bloco de votos fora da polarização, com 3,4 milhões de pessoas. Lula não vira sem vencer com folga nesse grupo.
  4. A abstenção. Com 21,08% de eleitores ausentes, uma alta de comparecimento entre os grupos em que o PT é mais forte vale mais do que qualquer apoio partidário. A estratégia já apareceu no discurso de Lula na noite de domingo, centrado em mobilização.

O cientista político Bruno Bolognesi, da UFPR, resumiu ao Nexo o caminho que resta ao PT: "necessariamente, a coordenação eleitoral do Lula vai ter que fazer uma campanha de ataque ao Bolsonaro e ao Flávio para tentar roubar voto".

Há um alerta, porém. As pesquisas da reta final mostravam empate técnico no segundo turno, como o Datafolha de 24 de setembro, com Lula 47% e Flávio 45%. Essas mesmas pesquisas subestimaram Flávio no primeiro turno. O Datafolha tinha Lula 4 pontos à frente, e o senador terminou quase 2 pontos acima.

As chances de Flávio Bolsonaro

Flávio tem 83,5% de chance de ser o próximo presidente, segundo o Polymarket nesta segunda-feira (5). O número subiu 20 pontos em uma noite: às 16h de domingo era 63%, e às 18h, com as primeiras urnas apuradas, já tinha passado de 85%.

O senador já era o favorito dos apostadores antes de liderar qualquer pesquisa de primeiro turno. A virada no mercado aconteceu na primeira quinzena de setembro: em 1º de setembro, Lula tinha 55,5% e Flávio, 39,3%; no dia 15, Flávio já aparecia com 51,9%.

A leitura de quem apostava era que a soma dos votos de oposição no segundo turno favorecia o candidato do PL. O primeiro turno reforçou essa tese.

Três fatores sustentam o favoritismo:

  • A matemática. Flávio precisa de 38% dos votos que foram para outros candidatos. Os eleitores de Renan Santos, Caiado e Zema, todos de oposição ao governo, já bastariam.
  • A história. Em todas as sete eleições presidenciais com segundo turno desde 1989, o mais votado no primeiro turno venceu.
  • O voto que as pesquisas não viram. Se parte do eleitorado de Flávio não declara o voto aos institutos, como sugere o resultado de domingo, o empate técnico das pesquisas de segundo turno pode esconder uma vantagem real do senador.

Uma chance de 83,5% não é certeza. Em linguagem de aposta, significa que, se a mesma eleição fosse disputada seis vezes, Lula venceria em uma. Na noite de domingo, o próprio mercado mostrou como pode errar: dava 69,5% de chance para Lula vencer o primeiro turno.

Algum candidato já virou um segundo turno para presidente?

Nunca. Em todas as sete eleições presidenciais decididas em segundo turno desde 1989, quem terminou o primeiro turno em primeiro lugar ficou com a faixa. Mas nenhuma delas começou tão empatada quanto a de 2026.

O histórico pessoal de Lula ajuda a medir o tamanho do desafio. Os 45,14% de domingo são a menor votação dele num primeiro turno desde 1998, quando teve 31,71% e perdeu para Fernando Henrique Cardoso sem nem chegar ao segundo turno. Nas três eleições que venceu, ele tinha entre 46,4% e 48,6% no primeiro turno e liderava a disputa.

O precedente mais próximo de uma virada é justamente o de 2022, só que com o sinal trocado. Bolsonaro, então presidente, chegou ao segundo turno 5,2 pontos atrás de Lula, cresceu quase 6 pontos e perdeu por 1,8 ponto. Agora é Lula quem disputa a reeleição em segundo lugar, com uma distância quase três vezes menor.

O que pode mudar até 25 de outubro

São três semanas de campanha, e o mercado vai reagir a cada uma delas. Estes são os pontos que podem mexer nas chances:

  • Apoios dos derrotados. Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury somam 7,58% dos votos válidos. Um apoio explícito de Cury a Lula seria o único movimento partidário capaz de mudar a conta de forma relevante.
  • As primeiras pesquisas de segundo turno. Os institutos erraram a distância do primeiro turno. A primeira rodada pós-apuração vai mostrar se eles corrigiram o modelo ou se o empate técnico continua.
  • Debates e propaganda. Com uma diferença de 1,9 ponto, um erro em debate pesa mais do que em qualquer eleição recente.
  • Comparecimento. Uma queda na abstenção de 21,08% favorece quem conseguir levar o próprio eleitor de volta às urnas.

O Aposta Legal explica como interpretar as chances dos mercados de previsão no hub de eleições.

Perguntas frequentes

Quem vai ganhar o segundo turno, Lula ou Flávio?

Segundo o Polymarket, Flávio Bolsonaro tem 83,5% de chance e Lula, 16,5%, em preços de segunda-feira (5). Preço de mercado não é pesquisa nem garantia de resultado.

Lula pode virar a eleição?

Pode, mas precisaria fazer algo inédito: nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar venceu a Presidência desde 1989. Lula precisa de 4,86 pontos a mais; Flávio, de 2,95.

Quando é o segundo turno de 2026?

Em 25 de outubro.

Qual foi o resultado do primeiro turno para presidente?

Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,05% dos votos válidos, Lula (PT) 45,14%, Augusto Cury (Avante) 2,89%, Renan Santos (Missão) 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) 2,18%. O comparecimento foi de 78,92%.

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    Lula ou Flávio? As chances no 2º turno segundo as apostas